Floresta de pernas

Leonor Pinhão

Leonor Pinhão

Jornalista
Leonor Pinhão

Um jantar elegante

Por ser tão especial o dérbi da Capital é também especial a semana que o antecede. Ou não é? Trata-se de um transe de multidões com mais de um século de historial muitíssimo bem documentado. Antes de haver redes sociais, departamentos de comunicação e serviço de escutas da polícia já a iminência de um dérbi exacerbava os sentidos, licenciava conspirações e sabe-se lá o que mais. Do ponto de vista dos dois emblemas em compita, na semana antes do dérbi tudo é maquinação, intriga, cabala dos rivais. Cabe, na medida do que for possível, às pessoas de bom senso o exercício de desmistificar as teorias absurdas que vão pululando sem freio e ao sabor das conveniências políticas e psiquiátricas de cada campo. A essas conveniências tudo serve no intuito de perturbar os índices de concentração da equipa adversária e de condicionar o trabalho do desgraçado do árbitro.

Os benfiquistas, por exemplo, consideraram como inadmissível o jantar elegante que o presidente da Liga de Clubes ofereceu a meio da semana a Antero Henriques, ex-dirigente do FC Porto e a Joaquim Oliveira, ex-patrão do futebol português, num restaurante de luxo da Capital quando, na realidade, não houve neste convívio nenhum motivo para se preocuparem. Nem Antero nem Oliveira se encontram suspensos de todas as suas ex-atividades pelas instâncias disciplinares do futebol português nem, muito menos, os registos fotográficos da ocasião revelaram um grau de intimidade que chegasse aos calcanhares da jovial e legítima intimidade registada fotograficamente entre o presidente da Liga e Fernando Madureira por ocasião do XIII Encontro Nacional do Árbitro Jovem que ocorreu há dois anos em Leiria e que contou com a mítica presença do palestrante líder dos Super Dragões.

Do outro lado da rua passa-se exatamente a mesma coisa. Ou não se passa? Os sportinguistas, nesta mesma semana que antecede o derby, consideraram que a queixa do Freamunde e do Leixões a propósito da utilização indevida de dois jogadores da equipa do Sporting B que disputa a II Liga foi inspirada pela mãozinha diabólica do rival no intuito de desestabilizar a carreira da equipa do Sporting A na I Liga. E, assim, com estas efabulações, se vão abespinhando os adeptos e os maiorais destes dois clubes históricos até à hora do jogo. Depois a história é outra e só uma coisa é certa: dê para onde der, a próxima semana também vai ser especial.

21.04.2017
M M