Off the Record

Luís Aguilar

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Meninos nada queridos

Tudo é mau no caso dos e-mails do Benfica. Começa pelo conteúdo, passa pela comunicação e subserviência de alguns dos intervenientes e acaba na própria divulgação desta informação. Entre homens feitos que só querem ser "meninos queridos", a outros que admitem pôr "toda a carne no assador" por determinado clube, ninguém sai bem visto desta história.

Diz o Benfica que nenhum dos pedidos nas trocas de e-mails se concretizou. A nota do árbitro Manuel Mota não foi alterada, o filho de Adão Mendes não foi promovido e Nuno Cabral – o tal que só queria ser um menino querido aos olhos do clube liderado por Luís Filipe Vieira –, deixou de ser delegado da Liga. Tudo isso é verdade, mas só o simples facto de haver alguém que peça a ajuda de um clube para alterar decisões da Liga e da FPF mostra bem que, agora como antes, o poder e capacidade de influência dos três emblemas denominados grandes – neste caso, do Benfica – continuam a ser maiores do que o das instituições que regulam o futebol português.

Se os clubes mandam mais, e vão alternando nesse poder à vez, colocando os seus "players" nas posições de influência, está tudo errado. Se as contratações de jogadores e treinadores forem tão importantes para o sucesso como o são o recrutamento de intervenientes que se saibam mexer nos bastidores da arbitragem, dificilmente poderemos ter um futebol onde os adeptos acreditem que todos os jogos se decidem apenas dentro do campo.

Este caso do Benfica pode ser tudo. Ou pode nem ser nada. Mas deve ser investigado, até à exaustão, para que o futebol português se livre destes parasitas. De meninos, nada têm.
De queridos, menos ainda.

18.06.2017
M M