Regabofe

Já várias vezes me insurgi contra aquilo que, desde há muito, se tornou um verdadeiro passatempo para os amantes do futebol em Portugal: falar mal dos árbitros. Do simples adepto que gosta de opiniar sobre um dos temas prediletos nos cafés e barbearias até às dezenas de opinadores – percebendo muito, pouco ou rigorosamente nada do assunto – com assento regular nas televisões... é sempre a andar. Basta o clube do coração não ganhar e eis que a explicação para o deslize surge de forma automática.

Esta nacional tendência apanha também dirigentes, treinadores e até jogadores que, por razões várias, não hesitam em ‘sacudir a água do capote’. E bem os entendo: afinal de contas, é sempre mais fácil responsabilizar os homens do apito do que ter de analisar erros próprios, alguns dos quais bastante evidentes.

Mas, convenhamos, também não se pode ignorar o óbvio. E nos três primeiros jogos dos grandes em 2017, em duelos referentes à Taça CTT, a quantidade (e gravidade) dos erros protagonizados pelas equipas de arbitragem ultrapassou o razoável, sendo de destacar a forma inusitada como o portista Danilo foi expulso em Moreira de Cónegos, assim como Rui Oliveira ‘viu’ um penálti de Coates, ontem, no derradeiro lance do V. Setúbal-Sporting.

Com erros tão graves, são os próprios árbitros que acabam por contribuir para este contínuo regabofe. Para defesa dos que têm qualidade... talvez seja hora de afastar quem não tem jeito para isto. Seja profissional ou não...

05.01.2017
M M