Entrada em campo

Nuno Farinha

Nuno Farinha

Diretor adjunto
Nuno Farinha

O Benfica e a história dos copos

Rui Vitória recorre muitas vezes à ideia do ‘copo meio vazio e do copo meio cheio’. Quando as decisões ficam em aberto e nada há de definitivo, o que sobra para discussão é sempre o rendimento apresentado. ‘Foi bom, mas podia ter sido melhor’, nuns casos. ‘Foi mau, mas podia ter sido pior’, noutros.

O Benfica empatou os últimos três jogos e em todos eles houve ‘copos’ diferentes. O primeiro, em Paços de Ferreira, foi o que mais dano causou: 2 pontos perdidos e uma exibição bastante longe de satisfazer. Conclusão: copo meio vazio.

O clássico com o FC Porto foi o empate que se seguiu, mas aí o rendimento já foi muito diferente. O campeão nacional fez uma clara demonstração de força, em especial nos últimos 30 minutos, que deixou os adeptos com boas sensações. Há muito tempo, aliás, que o Benfica não era tão superior aos dragões como foi desta vez. Conclusão: copo meio cheio. A série de empates teve ontem continuidade com um espantoso e surpreendente 3-3 em plena Luz. Salvou-se o mais importante, que era garantir a qualificação para o Jamor, mas houve sinais preocupantes na noite em que Rui Vitória assumiu uma gestão mais alargada. Deu minutos a jogadores menos utilizados e promoveu o regresso de Grimaldo, afastado por lesão há mais de 5 meses. E ficaram muitas dúvidas.

Rui Vitória tem um plantel extraordinário, com soluções valiosas para todas as posições. A dificuldade que ontem revelou para segurar a vantagem da 1.ª mão (tinha ganho 2-1 no Estoril) é por isso difícil de entender. O treinador, às tantas, percebeu que estava a correr demasiados riscos e fez saltar do banco três pesos-pesados: Salvio, Pizzi e Jonas. Ontem foi difícil perceber como estava o copo. Cheio, porque a águia garantiu a sua 36.ª final da Taça de Portugal. Vazio, porque estava obrigada a fazer muito mais.

06.04.2017
M M