Ângulo inverso

Nuno Santos

Nuno Santos

Nuno Santos

Algazarra na TV

Programas de debate e análise sobre futebol existem em todo o mundo. Existem desde sempre e ganharam mais expressão desde o advento dos canais especializados em desporto porque as grelhas precisam de ocupar o espaço entre as transmissões em directo.

Já nos canais ditos informativos ou mesmo generalistas o fenómeno não será exclusivamente português, mas está restrito ao universo latino. Mas programas com adeptos ligados aos principais clubes só conheço em Portugal e com os resultados que se sabem.

O modelo, lançado por Emídio Rangel na TSF há 25 anos, migrou para a televisão e degenerou. Hoje por hoje o nível está entre o sofrível e o fraco. A algazarra instalou se em demasiados casos. O nível é baixo.

Claro que há vozes independentes e pessoas sérias, mas em geral estes comentadores de generalidades apelam aos piores sentimentos. Servem pão e circo e nesse sentido vão ao encontro dos adeptos.

Não há inocentes: programadores, paineleiros e fiéis estão bem uns para os outros. Convencionou se que este tipo de confrontos gera audiência e, sendo assim, é melhor não pensar em mais nada.

É compreensível, pois, que os clubes usem estas vozes para passar as suas mensagens. Eles dizem ao domingo e à segunda o que dirigentes e treinadores não podem ou não querem dizer.

Aplica se a toda a gente? Por certo não. Há pessoas que pensam pela sua cabeça.

Veja se, no entanto, caso da arbitragem que em Portugal é um problema crónico. Ora, o clima está muito mais crispado desde a proliferação destes programas onde às bocas de circunstância se junta a repetição ad nauseaum das imagens dos lances polémicos.

Estes formatos impedem também a existência de programas onde o assunto seja mesmo o futebol. Mesmo discutido com paixão, mesmo sem fugir à controvérsia. Hoje a Grande Área da RTP é, entre os espaços de debate, quase um oásis. Tudo o resto, directa ou indirectamente está inquinado.

Em Portugal também se trata muito mal as imagens. Nem o detentor dos direitos as usa convenientemente. O resultado são programas preguiçosos, sempre à volta da mesa, com recurso escasso não só às imagens como aos recursos gráficos.

Por vezes penso se quem decide vê a televisão que se faz pelo mundo fora. Tanta coisa mudou e por cá tanta coisa está na mesma.

UM CANDIDATO FRACO

Se Pedro Madeira Rodrigues é o melhor que a oposição a Bruno de Carvalho arranja na actual luta eleitoral no Sporting, o Presidente bem pode dormir descansado.

É verdade que falta tempo, é expectável que possam existir debates e mais entrevistas mas o que se ouviu até agora ao candidato é tão estimulante como uma caixa de comprimidos para dormir.

Antes de tudo o resto é difícil descortinar qual o projecto desportivo e empresarial de Madeira Rodrigues e quanto aos ataques a Bruno de Carvalho o mínimo que se pode dizer é que são pouco consistentes. Quanto ao futebol andou bem no apoio a Jorge Jesus, andou mal ao deixar William Carvalho fora das referências da equipa.

Rodrigues merece o benefício da dúvida, mas seria difícil ter um arranque mais frouxo. Bruno agradece.

CRISTIANO RONALDO - O Real Madrid não precisou de Ronaldo para vencer de forma convincente o Sevilha, um adversário que se temia ser difícil. No entanto a ausência de Ronaldo após duas semanas de pausa não deixa de causar alguma apreensão. Não tento nenhuma lesão conhecida a explicação oficial foi a gestão do esforço para que o astro português apareça em pleno no final da temporada. Ronaldo está a chegar aos 32 anos, mas esta situação não é nada vulgar.

IBRAHIMOVIC - Com mais três anos que o capitão da Selecção, o sueco tem jogado invariavelmente duas vezes em cada semana mantendo um rendimento elevado. Um jornalista inglês escreveu esta semana, com ironia, que Zlatan corre menos que ele quando passeia o seu cão, mas se o avançado se poupa o facto é que não perdeu eficácia mesmo não tendo hoje nem a mesma capacidade de explosão nem o mesmo poder de fogo na meia distância. Talvez seja um bom exemplo para Ronaldo.

04.01.2017
M M