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Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

As duas caras do Benfica

O caso dos emails está a a provocar um dano sério na reputação do Benfica. O silêncio de Paulo Gonçalves, sendo um direito do arguido, soa como um silêncio ensurdecedor. A medida de coação que lhe foi imposta extravasando o expectável termo de identidade e residência e o facto de outro dos seguidos ficar em prisão preventiva vai colocar – ainda mais – o Benfica no centro da discussão. Podia ser pior? Por certo, mas o cerco está a apertar.

A detenção, mesmo sendo prática corrente das ações recentes da Justiça, já indiciava uma gravidade que ia para lá da ideia que se tratava de "uma simples violação do segredo de justiça", ideia que a comunicação do clube colocou a circular.

A questão, parece evidente, é que o Benfica precisava de saber com detalhe o estado e o âmbito da investigação a que estava a ser sujeito. Também parece de uma clareza meridiana que, mesmo que Paulo Gonçalves tenha tido a iniciativa e desenvolvido todo o processo, nada, numa questão de tal envergadura, pode ter acontecido sem o conhecimento de Luís Filipe Vieira.

Fazendo fé no que relatam os média, os referidos funcionários judiciais terão sido seduzidos com bilhetes . Ora, isto diz muito sobre quem hipoteticamente corrompe e se deixa corromper. Não há cá off shores, envelopes, ou esquemas elaborados. Para uns benfiquistas empedernidos, verdadeira coroa de glória é vir a Lisboa e estar ali no camarote presidencial, ao lado dos poderosos, fotos ao intervalo com caras conhecidas, uns croquetes mais um copo de vinho, enquanto o jogo não começa, enquanto mandam uma mensagem aos amigos e, quem sabe , pespegam um post no Facebook. Eis a miséria no seu esplendor.

Ora todas estas questões que tomaram forma nos últimos meses contrastam com a imagem que o Benfica projetou na última década, ou um pouco mais. O clube transformou-se numa organização de topo, com acordos internacionais relevantes, êxitos no futebol, uma formação elogiada e rentável, um scounting competente que gerou grandes negócios e vitórias nas diferentes modalidades.

O Benfica, com uma penetração social invulgar, retomou um lugar que tinha perdido no país e junto das comunidades. Esse trabalho tem em Luís Filipe Vieira – o homem com a 4.ª classe nascido no modesto bairro das Furnas em Lisboa, o líder incontestado, visionário até na opinião de alguns. Fazer futurologia é sempre uma atividade de alto risco, mas seria lamentável que o responsável do renascimento do Benfica acabasse agora por lançar o clube numa era de trevas.

Um dado é certo: quem está a ser julgado, mesmo que nunca chegue aos tribunais, é Luís Filipe Vieira. E o que está verdadeiramente em causa é a verdade desportiva.



O futuro de Jesus

Fatal como o destino. O Sporting perdeu (mal, mas perdeu) o jogo com o FC Porto e um dos temas que entrou na agenda foi o futuro de Jorge Jesus. O presidente e a estrutura do clube fizeram o que tinham que fazer: o treinador está de pedra e cal, há objetivos para atingir, um contrato para cumprir e é preciso planificar a próxima época. Jesus, experiente no futebol e na vida, sabe que este discurso é assim e faz sentido se houver mais títulos até ao fim do ano e pode ser outro se o Sporting cair (já) na Liga Europa e, pior ainda, na Taça de Portugal. Mas, mesmo que tudo isso suceda, Bruno de Carvalho deve ter o bom senso de manter e apoiar o treinador. O presidente do Sporting gosta pouco ou nada de modelos importados do Benfica, mas foi isso que Luís FIlipe Vieira fez num determinado momento. Fez bem. O tempo acabou por lhe dar razão. O tempo no futebol, mesmo para quem não ganha há 15 anos, é importante.


PSG. A fragilidade do Paris St-Germain contra o Real Madrid foi um duro confronto com a realidade num projeto não apenas desportivo e empresarial, mas verdadeiramente político no sentido amplo do termo. O poder do estado do Qatar, com o apoio das autoridades francesas, sofre um rude golpe com a incapacidade de colocar uma equipa na primeira linha do futebol europeu. Com a devida diferença dos tempos, o PSG faz lembrar o Barcelona do final da década de 80 – não lhe falta dinheiro, nem jogadores, falta lhe um homem com uma visão superior, falta lhe o que Cruyjff foi na Catalunha e o que, de certa forma, Pep Guardiola é hoje no Manchester City.

Juventus. Tal como o Real Madrid, também a Juventus fez valer a sua experiência e ‘pedigree’ para eliminar o Tottenham em Londres. A Juve esteve a perder em casa, esteve a perder em Londres mas a sua força e a dos seus astros veio ao de cima. Menos vibrante do que há um ano é sempre uma equipa a ter em conta numa competição como a Champions.

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