Quem vai ganhar o dérbi?

Um Sporting-Benfica é sempre um jogo de nervos, o deste sábado é mais um jogo de gente nervosa com particular destaque para os dirigentes e para quem os acompanha, incluindo os comentadores que enchem o espaço público, em especial os inúmeros ‘papagaios’ que pululam numa televisão perto de si.

Os jogadores têm, como sempre, a noção e o peso da responsabilidade, mas no resto não são deste filme. A maioria são estrangeiros e mesmo os que andam cá há anos ainda dizem ‘partido’ e não jogo, ‘hecho’ e não feito, ‘torcida’ e não adeptos, entre outras palavrinhas. Vivem muito mais à margem da guerrilha diária do que os próprios dirigentes dos clubes imaginam.

No jogo jogado o Sporting está melhor. Na verdade, por muito que isso desagrade ao regime e contrarie a classificação, o Sporting é melhor. Sucede que o futebol não é feito de construções teóricas e sim de resultados práticos e, no terreno, a equipa falhou várias vezes de forma contundente ao longo da época. Está a pagar o preço, mas voltou ao bom futebol. Num erro de posicionamento, fará da receção de sábado o jogo do ano e não é o jogo do ano. Essa é até uma forma de menorizar o clube. Claro que no discurso oficial ninguém o vai assumir, mas, aqui chegados, ganhar ao Benfica é desmesuradamente importante para o Sporting e deve ser apenas importante.

O Benfica, não o esqueçamos, fez verdadeiros milagres no início da época quando a equipa, sacrificada por lesões, estava presa por arames. Rui Vitória não é o homem dos problemas, é o homem das soluções e esse lado pragmático compensa as suas fragilidades enquanto treinador. Seria surpreendente se Vitória, como por exemplo José Mourinho – e salvas as devidas distâncias – criasse um esquema que travasse o caudal criativo do Sporting, como Mourinho travou o do Chelsea há uma semana. Também, por outra razão, o Benfica, não precisando de jogar fechado, não tem necessidade de assumir a iniciativa do jogo.

Sobre o que pode acontecer fora das quatro linhas, há legítimas razões, se não para alarme, ao menos para séria preocupação. O clima criado nas últimas semanas, para não irmos mais longe, foi de uma total irresponsabilidade. Sem inocentes, mesmo quando há falinhas mansas. Um destes dias temos outras vez uma tragédia. Anda no ar.

Sei que me estou a tornar repetitivo, mas a Liga, por razões formais, e o presidente da Federação, pelo seu peso institucional, têm, talvez nos bastidores, trabalho importante para fazer. Acima deles só o Presidente da República. Ao menos não se cansa.


A UEFA tem
um problema

Em Portugal, para citar o caso que tristemente conhecemos, a qualidade média da arbitragem é hoje um tema na ordem do dia. Retiremos o foguetório, a manipulação, até alguma indecência na forma como as coisas são tratadas: em geral os nossos árbitros são fracos. Mas o problema não é português. À escala europeia, as recentes arbitragens do Barcelona-PSG e do Real Madrid-Bayern mostram que existem muitos árbitros em países periféricos, como a Turquia ou a Hungria, sem qualidade para esta fase da Liga dos Campeões. Acredito no poder e até na força dos grandes (o Bayern também não é pequeno), mas não em teorias da conspiração. Mais: sei que a UEFA está a trabalhar bem, tem organização, tem boas ideias, profissionais competentes. Só que é preciso extirpar estes cancros.




Ronaldo. Os números dizem que Cristiano Ronaldo tem feito uma época mais fraca que as anteriores. Dizem os números e, em geral, as suas performances. Mas, contra esses factos há argumentos de peso: Ronaldo começou mais tarde e está mais jogador de equipa – fez inúmeras assistências – e, se fez menos golos, tem aparecido em momentos cruciais como os agora dois jogos contra o Bayern. Domingo contra o Barcelona terá todos os olhos sobre ele. Um velho hábito.

Messi. A dúvida é sempre a mesma quando as coisas correm mal no Barcelona: é o génio que precisa de "mais equipa" ou a equipa que precisa de "mais génio"? Nunca haverá resposta para o dilema, mas a sensação é a de que existe uma dependência mútua, embora não na mesma medida. Um craque com tão impressionante repertório pode ser feliz em qualquer ponto do Mundo, com qualquer treinador e com quaisquer colegas. Já o Barcelona, sem Messi, nunca será a mesma coisa. O grande mistério que fica desta eliminatória com a Juventus não é, porém, um caso individual. Luis Enrique já tinha tocado no tema e ontem repetiu a ideia após aquele frustrante 0-0: "Jamais esquecerei os primeiros 45 minutos de Turim." Pareceu ter vontade de dizer mais qualquer coisa. Mas não quis. Ou não pôde. É este Barcelona a lamber feridas que terá, já no próximo domingo, de ir ao Santiago Bernabéu fazer pela vida. Uma missão para super heróis.

20.04.2017
M M