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De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

Futebol e impunidade

O Benfica não se livra de polémicas, numa época que ainda o pode sagrar penta-campeão. A operação E-Toupeira é uma necessária reação do sistema de Justiça a comportamentos criminosos de alguns dos seus agentes, que, confirmadas as suspeitas, serão indignos de servir a comunidade no campo da Justiça.

É tempo de criar condições para que o futebol se torne transparente, com arbitragens competentes e equidistantes. É urgente enfrentar o poderes fáticos, dos presidentes, direções, claques, para que as famílias possam ir ao futebol, num clima de emoção, sim, mas não de guerra. Ministério Público e PJ estão a mostrar coragem para enfrentar um monstro que não parou de crescer e fortalecer-se nas últimas décadas. O futebol tornou-se um terreno de impunidades várias. Das bancadas incendiadas, aos camarotes onde se cruzam interesses opacos. Com tamanha impunidade é quase natural que se atinja um estado de amoralidade, que tudo permite e autoriza, com o único fito de ganhar aos rivais, seja de que maneira for. É difícil dizer de um jurista tarimbado, como Paulo Gonçalves, que não estaria na posse dos necessários mecanismos de ponderação de um bom pai de família, quando monta um sistema de informação sobre processos ainda em fase de inquérito, com o segredo de justiça a proteger a investigação. Mas até Paulo Gonçalves terá no pântano do futebol uma genuína circunstância atenuante.


P.S. – O único sindicato de que fui membro tresleu o texto que assinei no Record na passada semana. O teor era duro, mas construtivo. Defendia que Gelson deveria ser castigado pelo Sporting, de forma a não reincidir em atitudes que prejudicam o grupo de trabalho e o próprio clube. O Sindicato dos Jogadores exortou a que me retratasse. Não vejo qualquer motivo para tal.

Pior foi a reação de uma organização chamada SOS-Racismo. Essa gente considerou que o texto era racista. O que classifico como altamente difamatório. Um texto que lamenta a falta de qualidade da escola pública, principalmente nas franjas das grandes cidades. Um texto que exige igualdade de oportunidades para todas as crianças, e que, a dado passo, diz explicitamente que não está em causa qualquer questão de raça. Tal texto é apodado de racista. Arrastando para esse campo de trevas a imagem do seu autor. Isso não posso admitir. Toda a minha vida defendi a igualdade de todos os homens, sem fronteiras de raças, credos ou riquezas. Muitos dos meus textos, ao longo de décadas, são explícitos e inequívocos nessa defesa. De súbito, um bando de analfabetos funcionais difamam um cidadão por total incapacidade de interpretar aquele texto simples.

Sinal destes tempos de alcateia digital, sedenta de sangue e cega aos saberes.

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