De olhos na bola

OCTÁVIO RIBEIRO

OCTÁVIO RIBEIRO

DIRETOR DO CORREIO DA MANHÃ
OCTÁVIO RIBEIRO

"Mesmo contra os árbitros"

Quando José Maria Pedroto regressou ao FC Porto, em 1976, trazia a vontade de devolver ao seu clube do coração o título de campeão. Conseguiu-o em dois anos seguidos, após a primeira época de ambientação. Então, o Benfica dominava o futebol português, e por isso, naturalmente, os árbitros eram mais complacentes com os encarnados. Os comandados de Pedroto venceram, como exigia o Mestre, "mesmo contra os árbitros".

Foi mesmo contra os árbitros que o Benfica iniciou a sua caminhada para aquilo que começa a afigurar-se como uma nova era de hegemonia das águias. Não adianta tapar o sol com o apito – os leões e os dragões devem olhar para o que estão a fazer de errado, antes de entregarem os árbitros, como dócil móbil da derrota, aos seus jogadores, técnicos e adeptos. FC Porto e Sporting estão a falhar muitos golos, não chegam com fluidez à linha de fundo. A bola não corre com a velocidade devida pelos espaços ideais. Os milhões investidos em reforços ainda não rendem juros.

Muito mais nas fraquezas próprias do que na incompetência dos árbitros se encontra a razão destes dois grandes estarem eliminados da Taça da Liga, o FC Porto também da Taça de Portugal, e ambos longe do Benfica na tabela do campeonato. Ontem, assistiu-se a mais uma demonstração de bom futebol feita pelos benfiquistas, no difícil terreno de Guimarães. Com a arbitragem de um sobrevivente do ‘Apito Dourado’, o Benfica dominou, falhou golos, até um penálti, e marcou por duas vezes, em jogadas simples e eficazes.

Só o Benfica poderia ter vencido mais este jogo. E o árbitro Carlos Xistra não precisou de ter nada a ver com isso.

10.01.2017
M M