De olhos na bola

OCTÁVIO RIBEIRO

OCTÁVIO RIBEIRO

DIRETOR DO CORREIO DA MANHÃ
OCTÁVIO RIBEIRO

O que se passa no Benfica?

Quarta-feira triste para a futebol português. O Sporting defrontou um gigante mundial, em momento algum se pôde sonhar com um resultado que fosse além do empate a zero. Mas bateu-se com galhardia e a equipa está saudável. Na Suíça, o Benfica voltou ao fundo do poço da crise. Valha-nos a terça-feira do FC Porto.

Na Luz, afinal a culpa não era do jovem guarda-redes, Bruno Varela. A responsabilidade pela actual situação do Benfica é naturalmente, em primeira linha, do seu treinador, que aceitou as vendas de craques sem acautelar devidamente as substituições. Acima de tudo, a grande nódoa de Rui Vitória recai sobre a forma desastrosa como estão a jogar os atletas que coloca em campo. O Benfica sofreu uma das mais humilhantes derrotas da sua história europeia. Porém, só quem não viu o jogo se pode espantar com a crueldade dos números. Pizzi não está a acertar passes, nem o passo. Falha a colocação de bola até em distâncias curtas. Não ganha ressaltos, nem consegue rasgar terreno com a bola nos pés. Os flancos estão uma desgraça. Sem capacidade de perfuração e com dois jovens levezinhos, hábeis, mas incapazes de atacar e defender com consistência. Cervi e Zivkovic, não devem jogar ao mesmo tempo. Nenhum deles é solução no flanco direito.

Grimaldo está muito pior do que Eliseu. Não se compreende como o internacional português ainda não ganhou o lugar. Já na semana passada ficou escrito neste espaço: o problema do Benfica não está na defesa (Grimaldo, é um caso isolado), nem no guarda-redes. O que falha são as opções erráticas de Rui Vitória e o péssimo ambiente colectivo. Os avançados ficam nas covas quando o passe não lhes chega limpo. Jonas foi ontem mais um exemplo desta apatia competitiva. Os jogadores aparentam uma certa acomodação à sombra dos sucessos recentes e Rui Vitória vai experimentando peças, sem qualquer fio de coerência. Normalmente, como o técnico do Benfica muito bem saberá, quando o treinador começa a abanar os fundamentos da equipa, perdendo a coerência e o sentido de justiça, os jogadores tendem a perder a fé. E, sem fé no seu líder, as equipas perdem muito mais do que ganham.

No final do jogo no Mónaco, em que o FC Porto dominou os locais, Leonardo Jardim lamentou a pesada derrota, que atribuiu ao facto dos adversários terem ganho grande parte das bolas divididas. E foi assim mesmo – o FC Porto não deu nenhuma bola como perdida.

É o querer, em sobra neste atual FC Porto, que parece ter voado até desvanecer-se nos céus da Luz. Há uma doença grave no plantel do Benfica. Cabe a Rui Vitória descobrir uma cura rápida e eficaz. Que, antes de tudo, está em escolher com coerência o melhor onze disponível.

28.09.2017
M M