De olhos na bola

OCTÁVIO RIBEIRO

OCTÁVIO RIBEIRO

DIRETOR DO CORREIO DA MANHÃ
OCTÁVIO RIBEIRO

Urgentes reforços na Luz

Continua a somar deceções este Benfica, que tem mesmo de mexer no plantel em janeiro. Se Vieira quer dar a Rui Vitória a possibilidade de atingir um inédito penta, terá de encontrar reforços para várias posições. Desde logo necessita de um lateral direito, que Douglas nunca mostrou ser. Precisa de um trinco que seja alternativa a Fejsa. De um avançado posicional, referência na área, pois Mitroglou não deixou herdeiro. Também nas alas, só Salvio tem classe para jogar a titular de um grande.

Algo se passa na condição física dos encarnados, quando se verifica, jogo após jogo, uma total incapacidade de explosão. Os adversários parecem correr mais. Nenhum jogador do Benfica (à exceção de Salvio, a espaços) é capaz de arrancar e deixar adversários para trás. Foram vários os momentos gritantes de falta de velocidade, nesta derrota de ontem com o Rio Ave.

As más escolhas de reforços para esta época são órfãs de pai. Dá a sensação que Rui Vitória não terá escolhido jogadores como Gabriel ou Douglas, mas também Vieira não assume estas polémicas escolhas.

Seja como for, na Luz, agora, já só vale a pena olhar para o futuro. Não adianta chorar sobre as derrotas derramadas. São necessários reforços e essa necessidade deve unir treinador e presidente pelo interesse comum – conquistar o Penta.

Ontem, do lado do Rio Ave, um jogador brilhou pela técnica e visão de jogo. Ruben Ribeiro, aos 30 anos, parece finalmente maduro para pisar palcos de primeira grandeza. Se ganhar maior concentração no jogo e fizer menos fita em cada lance de choque, merece uma oportunidade num grande. Vieira gosta do futebol deste malabarista dinâmico. Por que não um teste de meia época na Luz?

O vídeo-árbitro continua na ordem do dia, de polémica em polémica. Fala-se agora na possibilidade de especializar árbitros na tarefa de visionamento. Parece uma boa solução no médio prazo. Para já, mas mesmo já, será isso sim necessário afinar a complementaridade entre o árbitro de campo e o seu colega dos ecrãs. Também no médio prazo, seria útil que as inteligências que gerem a arbitragem internacional entendessem que o vídeo-árbitro é uma instituição de apelo. Deveria funcionar como uma segunda instância, e mais elevada, de decisão. A última palavra numa decisão duvidosa deve caber ao vídeo-árbitro, sempre que as imagens resolvam as dúvidas, o que nem sempre acontecerá. Como nem sempre acontece, por exemplo, no râguebi ou no futebol americano. Nos casos, e apenas nesses casos, em que os vários ângulos da imagem não resolvem cabalmente as dúvidas suscitadas pelo lance, então sim, deve prevalecer o juízo do árbitro de campo.

14.12.2017
M M