A luz intensa

Pedro Adão e Silva

Pedro Adão e Silva

Professor Universitário
Pedro Adão e Silva

E amanhã?

Amanhã o Benfica enfrenta o desafio mais exigente da temporada. Não tanto pelo que está em jogo (chegar a esta fase da competição é, em si, positivo), mas por enfrentar um adversário com um nível de futebol ao qual as equipas portuguesas estão pouco habituadas. É verdade que o Benfica leva vantagem, mas o resultado na Luz foi enganador face ao domínio do Dortmund. Só um Benfica muito superior ao que temos visto pode ultrapassar a eliminatória.

A questão está longe de ser de qualidade individual. Se analisarmos jogador a jogador, o Benfica não é significativamente inferior à equipa do Borussia. Há, é evidente, uma explicação de contexto. O campeonato português é jogado em toada lenta e um clube grande raramente é colocado perante desafios defensivos sérios. A intensidade de jogo na Alemanha cria desde logo uma desigualdade entre os dois clubes.

Mas o essencial da explicação para a diferença entre Dortmund e Benfica deve ser procurada noutro lugar. Enquanto a equipa alemã tem uma enorme versatilidade na forma como joga, com uma saída de bola sempre em superioridade desde a defesa (o que lhe permite dominar os jogos em todo o campo, criando sistematicamente situações de vantagem numérica); o Benfica, se tem facilidade contra equipas que defendem muito atrás, sofre nos jogos com equipas que jogam no campo todo. Anulado Pizzi e em inferioridade no centro do terreno, o Benfica fica sem ideias.

Em Dortmund, o Benfica precisa de ter uma estratégia de abordagem ao jogo diferente da que tem tido ao longo do último ano e meio: na forma como sai para o ataque e como ocupa os espaços defensivos. Não é coisa pouca.

06.03.2017
M M