A luz intensa

Pedro Adão e Silva

Pedro Adão e Silva

Professor Universitário
Pedro Adão e Silva

Hábito de vencer

No sábado à noite, parecia claro: o Benfica tinha perdido o campeonato. Bastava ver o semblante carregado dos jogadores e a ansiedade no banco de suplentes. Um empate – sim, foi um empate – fora contra o Paços Ferreira aparentava ser o fim do percurso. Domingo ao final da tarde, parecia claro: o Porto tinha perdido o campeonato. Bastava seguir as declarações do treinador, após o apito final de um empate que tinha roubado uma pré-anunciada liderança da prova.
O futebol é a experiência ciclotímica por definição, os humores variam ao sabor do momento, quase sempre de forma inesperada. Mas, para além deste carrossel emocional, resta uma certeza, o campeonato está em aberto e a resistência psicológica desempenhará um papel determinante na atribuição do título.

Será suficiente? Naturalmente que não.

Os mind games são importantes e, quer do lado do Benfica, quer do Porto, não foi positivo o ambiente depressivo que se seguiu aos empates do fim-de-semana. Mas no fim, é no campo que se vencem campeonatos. E quanto a isso, nem o Benfica é uma equipa com as debilidades que foram proclamadas aos sete ventos nas últimas semanas, nem o Porto a formação avassaladora que vinha sendo anunciada.

Resumindo: o Benfica, com um plantel menos caro, tem mais qualidade individual que o Porto (imagine-se o que seria a equipa de Espírito Santo com a onda de lesões do Glorioso), enquanto o Porto é taticamente mais competente. Mas o plantel do Benfica de hoje tem vários jogadores habituados a vencer, o que poderá fazer toda a diferença no clássico da Luz. E na decisão do título.

20.03.2017
M M