A luz intensa

Pedro Adão e Silva

Pedro Adão e Silva

Professor Universitário
Pedro Adão e Silva

Para onde vais Benfica?

1.O Benfica encontra-se num daqueles ciclos viciosos em que uma equipa de futebol vai acumulando maus resultados (e piores exibições), em parte, por vir de maus resultados. Esta espiral depressiva está a afetar o comportamento coletivo, levando a que os mesmos jogadores que ergueram vários troféus aparentem ser, agora, banais. Mas está bem longe de explicar tudo.

Temos assistido à revelação de problemas larvares, presentes no jogar do Benfica há demasiado tempo. Neste sentido, permanece um mistério perceber a razão porque contra equipas mais fortes (ou até face a equipas assim-assim – que é o que são Basileia e Marítimo), o Benfica teima num 4-4-2 com Jonas a nove e meio. Este sistema, que funciona quando a equipa está bem e quando tem o jogador da posição oito em forma, revela-se curto em partidas mais exigentes e, ainda mais, quando é preciso gerir vantagens no marcador.

Continua a ser difícil compreender a razão para o Benfica insistir, apenas e só, num sistema que está condenado a não funcionar demasiadas vezes, que exige muito dos jogadores, enquanto coloca o meio-campo frequentemente em inferioridade numérica e sem rasgo na organização ofensiva.

É manifesto que o Benfica perdeu demasiados jogadores de grande qualidade na defesa e não encontrou substitutos. Como já aqui escrevi repetidamente, esta lacuna tem mais consequências na participação dos defesas no ataque do que na forma como a equipa defende. Mas o que dizer da pizzidependência do Benfica? Não só não existe um substituto claro para o bragantino (é Chrien? é Krovinovic?), como, pior, não se vislumbra um sistema alternativo que permita encaixar outros jogadores e até proteger as baixas de forma de Pizzi.

Para além de questões conjunturais, o problema do Benfica é, ao mesmo tempo, falta de arrojo tático e ausência de flexibilidade estratégica na forma como aborda os jogos. É isso que se quer nos maus momentos, em lugar de se insistir na mesma tecla. Se nada fizer, Rui Vitória será vítima das suas próprias hesitações.

2. Em Basileia, e, sintomaticamente, também na Madeira, o Benfica entrou em campo de pijama. Não no sentido figurado, como se a explicação para os maus resultados fosse a atitude competitiva. A equipa jogou de pijama porque utilizou um equipamento inenarrável, de um cinzento que nada tem a ver com as cores do Glorioso. A uma das noites europeias mais negras da história do Benfica fica, por isso, associada uma imagem carregada de simbolismo negativo. Pior mesmo só o símbolo do clube estampado a preto e branco. A menos que os regulamentos tenham sido alterados, o Benfica está obrigado a ostentar um símbolo com cores, que "corresponde ao respeito e à dignidade do próprio Clube". A nossa História deveria levar a que, entre as necessidades comerciais da ADIDAS e a fidelidade à identidade do Benfica, não se hesitasse por um momento na defesa do Clube.

02.10.2017
M M