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Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Como melhorar o futebol

O Futebol é uma indústria florescente, cada vez com mais vertentes, de que o jogo propriamente dito é apenas uma delas – e nem sequer será a mais importante.

O futebol-indústria é cada vez mais complexo, cada vez mais exigente, envolve cada vez mais dinheiro, por isso é cada vez mais permeável à corrupção e aos negócios menos limpos.
Mas o futebol-jogado não deixou de ser um desporto, continua a ser uma actividade lúdica que arrasta multidões inebriadas pela sua beleza, emoção, técnica, cada vez com mais entusiastas em todo o mundo.

Esta breve síntese centra-se apenas no futebol jogado dentro das quatro linhas, com várias condicionantes, de que ressaltam três lacunas fundamentais, que importa estudar em profundidade:
- a verdade desportiva;
- o aumento do anti-jogo e do jogo passivo;
- a exiguidade de golos.

Como eliminar (ou minimizar) os efeitos dessas lacunas, de forma a manter o interesse das massas de adeptos, sem afectar a necessidade crescente de receitas que sustentem a indústria?

Em nosso entender, o mais importante será a necessidade de sublimar a verdade desportiva, através de mecanismos que auxiliem os árbitros, protegendo-os de forma a reduzir a possibilidade de erro na tomada de decisão (e aí está o VAR, o vídeo-árbitro, com enormes dificuldades em se afirmar mas que, cremos, veio para ficar – mas não chega).

Para eliminar o anti-jogo, haverá que melhorar a cronometragem do tempo de jogo, tornando-a tão exacta quanto possível, para acabar com o manancial de mentiras que o acompanham.

Para reduzir o jogo passivo bastaria adoptar os critérios seguidos no andebol, se é que as leis do futebol ainda não permitem a sua aplicação.

Finalmente, para aumentar os pontos altos do jogo – que são as múltiplas emoções que os golos desencadeiam –, terá que haver a coragem de alterar pontualmente algumas leis.
Voltaremos a estes temas.


* Antigo colaborador permanente de Record (1991-97), foi o último director da Gazeta dos Desportos (1995);  escreve segundo a antiga ortografia
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