Factor racional

Rui Calafate

Rui Calafate

Consultor de comunicação
Rui Calafate

Apoiar a Selecção e a AG do barulho

Todos temos os nossos clubes mas há um tempo em que a nossa camisola é a nacional e a Marca Selecção se impõe. Já nos deu grandes feitos quando muitas vezes a clubite aguda torna o nosso futebol muito pequenino e por vezes sinistro e infrequentável. Se estivermos na Rússia como todos desejamos, continuaremos a senda de estar presentes em todos os grandes certames internacionais do desporto-rei. É um enorme orgulho que a nossa Selecção nos coloque à vista de todo o mundo, elevando e promovendo Portugal.

Aliás, tomara muitas indústrias terem o potencial de visibilidade e exportação que o futebol dá. Trabalho dos clubes, talento dos jogadores, astúcia dos treinadores, mas um trabalho de organização deveras profissional que a FPF tem vindo a desenvolver sob a batuta de Fernando Gomes e da competente equipa ao seu redor.

Mas para andarmos pelas terras de Putin temos de ganhar os dois próximos jogos. O primeiro, que não seja uma passeata nas neves de Andorra. Apesar de ser um adversário que já cilindrámos, temos de o respeitar sabendo que os jogadores do principado são duros e em sua casa já surpreenderam a Hungria. Depois, o osso mais duro de roer, a chata Suíça - que, como no diálogo de 'O Terceiro Homem', de Carol Reed, ao contrário dos poucos anos em que a Itália do Renascimento tinha dado uma série de génios para o mundo, a Suíça, em 500 anos, só tinha inventado os relógios de cuco.

Com um futebol previsível, mas sólido e organizado, com alguns jogadores de talento, pode pôr em causa as pretensões lusas e empurrar-nos para um playoff que pode ser complicado se apanharmos um adversário poderoso. E não podemos olvidar o facto de este poder ser o último Mundial onde teremos Cristiano Ronaldo ainda no zénite das suas capacidades e um factor possível de desequilíbrio em qualquer confronto. Por isso exige-se uma mentalidade determinada e grande união para se atingir os desígnios pretendidos.

A Assembleia Geral do Benfica ficou marcada, pelos relatos na comunicação social, por barulho e zaragatas e, posteriormente, por umas inacreditáveis declarações, ao Record, de um senhor que comandou a mesma porque o presidente, Luís Nazaré, não estava devido a campanha eleitoral. Pelo que li esse senhor não compreendeu muito bem que todos os clubes são dos sócios e não de quem manda na AG e ainda lançou o erro sobre as claques o que deve ter enfurecido a gestão de comunicação dos encarnados. Assim se vê que nem toda a gente que ocupa cargos em órgãos sociais percebe a realidade em que está inserida. Mas, acima de tudo, ficou provado que os adeptos se estão marimbando para as contas se a bola não entra. Ser campeão nas vendas e receber uma medalha de lata na competição é um caldo explosivo que leva a contestação.

Texto escrito na antiga ortografia

05.10.2017
M M