Rui Calafate

Rui Calafate Consultor de comunicação

Gladiador vestido de embaixador

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Todos os sportinguistas se devem orgulhar do que se passou dia 8. Um acto eleitoral que é recorde de participação, eivado de democracia, dia zero de um ciclo que se deseja vitorioso, sem quezílias nem belicismos imbecis. Honra aos vencidos, mérito a quem ganhou a compita. Quero deixar uma palavra de simpatia aos outros 5 candidatos que souberam dignificar o Sporting, especialmente João Benedito, que num momento duro em que teve mais votantes do que o vencedor, soube diluir as suas forças para robustecer de legitimidade o novo presidente eleito, num acto de humildade e serviço ao clube que só o prestigia e deixa de cara lavada para o futuro. E deixo a sugestão a Frederico Varandas: era um enorme gesto de agregação, se no próximo jogo para o campeonato em Alvalade todos os seus adversários, que já não o são, estivessem ao seu lado na tribuna de honra.

Frederico Varandas tem um enorme problema de comunicação, não é um orador, tem muita dificuldade em passar a mensagem, isso é algo evidente, e vai ter de saber lidar com isso. O lado positivo deste facto é que tenho a certeza que não terá deslumbramentos com microfones e se irá remeter ao silêncio, algo que o clube merece, tal como a paz, e que tão arredado andou nestes últimos anos, privilegiando o trabalho que não tem de ser anunciado e a solidão que acompanha quem exerce o poder nas decisões mais difíceis. Apresentou uma equipa mais completa para todos os órgãos e que se mostrou decisiva. Sim, a mudança de estatutos proporcionou que os sócios deixassem de poder votar em listas diversas para o CD, MAG e CFD (algo que tem de ser revisto), votando num só bloco, e Varandas apresentou o nome mais forte e com maior notoriedade, que nos últimos dias circulou por televisões e jornais e que levou muito voto para ele: Rogério Alves. Além disto, e como já disse, foi o único candidato que desde o primeiro momento contou, opção que se saúda, com uma estrutura profissional de comunicação, a cargo da LPM, que desenvolveu um excelente trabalho ao nível da ocupação do espaço mediático, e que terá importante contributo para o futuro.

Frederico Varandas tem boa imagem pública, parece tranquilo, apaixonado pela enorme tarefa que tem em mãos, tem gente capaz a trabalhar com ele e há algo pelo qual já manifesto a minha simpatia, pois é algo que me é caro e aqui propus no Record: o desígnio da transparência, com apresentação regular de declarações de rendimentos de todos os administradores remunerados, auditorias pontuais e apresentação do curso do dinheiro, para onde vai e quem o recebe. E a imagem que tenho para a acção do presidente é a de que ele terá de ser um gladiador vestido de embaixador. Duro e intransigente na defesa do clube, paladino na arena da verdade desportiva, sagaz e estratega na altura de escolher o momento da guerra, mas sempre diplomata, um lobo com pele de cordeiro, embaixador dos valores e código genético do Sporting, hábil negociador de bastidores e reservado no espaço público. E não pode esquecer uma verdade do Bushido, o código dos samurais: "é difícil derrotar os inimigos; é fácil derrotar a si mesmo". Frederico Varandas não pode ser o maior inimigo de si próprio. Muitas felicidades é o que desejo.

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