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De pé para pé

Rui Dias
Rui Dias Redator e repórter principal

Toda uma enciclopédia em campo

César Luis Menotti lançou a questão na segunda metade dos anos 90, ao diferenciar os grandes talentos ("são só eficazes") de outros que, tendo soluções individuais menos ricas, entendem o futebol na totalidade das suas variantes globais. Para chocar ainda mais, o velho treinador argentino, campeão do Mundo em 1978, afirmou que Ronaldo Fenómeno não sabia jogar, ao contrário de Makélélé, o trinco francês que dominava todas as chaves coletivas do jogo. Sérgio Oliveira resolve situações por habilidade mas, na maioria dos casos, dá resposta pelo entendimento global do jogo; sai de apertos e finta armadilhas por talento mas acrescenta a cada gesto e movimento a ampla visão do que vem a seguir.

SO não deslumbra pela exceção mas pela perfeição com que interpreta o senso comum; não se destaca pela mentira mas pelo modo como fala verdade em qualquer circunstância; não tira coelhos da cartola nem pretende elevar o engano à dimensão coletiva, mas é fabuloso na ocupação do espaço, na gestão da entrada aos lances e na complementaridade de todos quantos pisam terrenos próximos. Longe de ser um exibicionista à procura de aclamação, é uma enciclopédia no campo de batalha, que não comete erros estruturais e conhece as regras de todas as zonas onde exerce influência. Esteja mais atrás ou à frente; à esquerda, à direita ou ao meio; em situação mais ou menos apertada, sabe se deve travar ou acelerar, aquecer ou arrefecer, jogar mais curto ou mais longo.

Nada do que faz é surpreendente, porque estimulou a inteligência lógica de quem valoriza as exigências coletivas do futebol. É um fenómeno porque atua defensivamente com extraordinária precisão e uma estrela repleta de soluções técnicas, táticas e até físicas no modo como participa no processo criativo. Não só interpreta o óbvio como antecipa o que vai acontecer 3 ou 4 toques depois. É um médio de fiabilidade total, tão sóbrio e responsável que o treinador pode até confiar-lhe a guarda dos filhos – nunca o desiludirá. E não apenas hoje, que já tem 25 anos, idade propícia a concentrar todas as qualidade e potenciá-las: era ainda adolescente e já revelava a maturidade de um veterano que conhecia de cor as etapas de que eram feitos os grandes combates.

Não sendo o artista que inventa pelo caminho, é muito mais do que um funcionário que zela pela segurança da casa, trata dos equilíbrios e interceta linhas de passe. É um quadro superior que recusa manuais de etiqueta, melhora os companheiros e aumenta o perigo pelo critério do toque e da progressão até às zonas de definição. SO não cria espanto mas reconforta os sentidos: basta vê-lo colocar a bola com perícia milimétrica na cabeça de Soares, em plena área adversária, para o golo do FC Porto ao Sporting; impressionante como fez o mesmo em Moreira de Cónegos, para o golo anulado a Waris; magistral o livre direto ao poste direito de Rui Patrício; notável como agiu à ponta-de-lança, com o Sp. Braga, marcando de cabeça na grande área, como sublimes foram assistência e tiro à bombardeiro em Chaves.

Falta-lhe agora o empurrão final de Sérgio Conceição para dar continuidade à influência na equipa (jogo posicional sem debilidades) e à geometria que aplica na aproximação ao golo (contribui com inteligência no carrossel ofensivo). Num reportório sem manuais de etiqueta, falta-lhe agregar uma componente fundamental: o reconhecimento exterior e a aceitação da liderança que o fortalece em todos os contextos. Sendo um jogador silencioso, austero e indiferente aos padrões estéticos mais exigentes, é bom recordar que só atingiu o máximo de si mesmo ao comando dos exércitos que representou. Foi assim nas Seleções vice-campeãs do Mundo (sub-20) e da Europa (sub-21) e no P. Ferreira. Se igualar a proeza no FC Porto, Portugal ganhará um jogador de topo.


Zivkovic está
a construir-se

Há jogadores que, adquiridas novas competências, beliscam as que já têm

Zivkovic precisa de enriquecer o disco rígido tático para desempenhar funções em zonas mais recuadas e interiores, logo mais relevantes para o funcionamento da equipa. Em Portimão, mostrou-se solidário, com preocupações defensivas e participações desequilibradoras mais curtas e breves. No fim, fez um golo de requinte, só ao alcance dos craques. O talento permanece inalterável. Está no bom caminho.


Grande exemplo
do líder William

Quem parte pode fazer falta mas pior são os que ficam contrariados

William Carvalho é um dos segredos da boa época do Sporting, precisamente porque ficou podendo ter saído. Quando fez, aos 78 minutos do jogo com o Feirense, o que nenhum especialista tinha conseguido até então (o golo), a sua exibição já tinha o lastro de um monstro. O capitão das tropas verdes e brancas foi guia do exército e, ao mesmo tempo, um soldado comprometido e disposto a tudo pela causa.


Notável Boavista
de Jorge Simão

O sexto lugar do Boavista na Liga é um parcial absolutamente impressionante

Jorge Simão construiu equipa competente, que vem somando pontos a ritmo gradual e seguro; que não deslumbra mas também não se deprime; não tem vocação expansionista mas nunca se acomoda; recusa estados de exaltação mas não corre riscos de entrar em ansiedade. O equilíbrio entre ideia do treinador e a qualidade dos jogadores deu nisto: 6.º lugar na Liga, a 3 pontos do Rio Ave. Notável.




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