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Sérgio Krithinas

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Editor
Sérgio Krithinas

Justiça para Conceição

Aqui há uns anos, um amigo que ocupava um cargo dirigente num clube da 1.ª Liga despediu o treinador e contou-me que estava a pensar em contratar Sérgio Conceição, na altura adjunto no Standard Liège e sem qualquer experiência como treinador principal. Estranhei, mas esse meu amigo garantiu-me que estava ali um técnico especial.

Os anos seguiram-se e os resultados de Olhanense, Académica, Sp. Braga, V- Guimarães e Nantes confirmaram que o meu amigo percebe muito mais de futebol do que eu. Mas, apesar desses bons resultados, Sérgio continuou a ser visto como um treinador guerreiro, cujas equipas tinham como principal qualidade a garra e vontade de vencer. No fundo, dando ao treinador a mesma imagem que tinha enquando jogador.

Da mesma forma que muita gente se esquece do fantástico futebolista que foi Sérgio Conceição, muito para além da garra que tinha em campo, também houve quem durante este tempo todo não visse o grande treinador que é. Pela forma como organiza as suas equipas, pelos movimentos que mostram em campo, pelo foco permanente. O que está a acontecer esta temporada no FC Porto, em especial as duas últimas exibições diante de Monaco e Sporting, talvez tenha sido o princípio do fim do mito de que é apenas um treinador que faz os jogadores correrem mais do que os outros.

O meu amigo acabou por não contratar Sérgio Conceição (não sei se porque mudou de ideias ou porque não conseguiu). Mas ainda hoje fala disso.

03.10.2017
M M