Bloco baixo

Sérgio Krithinas

Sérgio Krithinas

Editor
Sérgio Krithinas

Loucura e fosso

A loucura que tomou conta do futebol conta-se em milhões. Nos gastos em grandes craques, em pequenos craques e nos outros, valores se calhar melhor entendidos à luz do relatório da FIFA sobre comissões de intermediários - nos últimos cinco anos, foram pagos 1,33 mil milhões de euros a agentes (com o pormaior de os clubes portugueses serem os terceiros mais generosos). Os primeiros pontapés deste mercado de transferências de janeiro mostram que já não é apenas uma tendência: o dinheiro jorra como nunca no futebol de topo europeu e, como sempre, acabará por chegar algum ao nosso país. Nem todo aos clubes, nem todo aos jogadores. A culpa não é tua, futebol, é do mundo em que vivemos.

A meio do campeonato, temos três equipas com, pelo menos, 40 pontos. O que indicia que a tendência dos últimos três anos vai repetir-se: o campeão fará mais de 80 pontos. Algo que também aconteceu nas últimas três épocas, desde que a Liga voltou a ter 18 equipas.. Entre 1995/96 e 2005/06, os outros anos em que houve campeonatos de 34 jornadas com a vitória a valer três pontos, só por quatro vezes houve campeões acima dos 8o pontos. Para simplificar: algo que aconteceu quatro vezes em 21 temporadas estás prestes a acontecer quatro vezes em quatro. São números que mostram claramente o aumento do fosso entre grandes e os outros na Liga nos últimos. Não é um fenómeno exclusivo de Portugal - longe disso - mas devia ser motivo de reflexão para todos. Um dia destes, ainda nos arriscamos a ter campeonatos com três ou quatro equipas a jogarem entre si.

09.01.2018