Visão periférica

Vítor Baía

Vítor Baía

Antigo internacional
Vítor Baía

Uma esperança chamada Sérgio

O FC Porto entrou muito bem no campeonato: uma goleada convincente sobre o Estoril, o melhor que se pode desejar para o primeiro jogo oficial que concidiu com a primeira jornada do campeonato. Mais do que isso: aconteceu num Estádio do Dragão lotado e a apoiar do primeiro ao último minuto a equipa, animada pelos seus sinais evidentes de esperança, de uma nova força, para esta temporada. E com razões.

Primeiro que tudo, o FC Porto acertou no treinador. Trata-se de alguém que viveu tempos aúreos no clube, com uma larga experiência profissional, que espantou os franceses com o trabalho que fez no Nantes na época passada. Não ha dúvidas que este FC Porto já tem o dedo de Sérgio Conceição, e chega a encantar a forma como ataca e a segurança com que defende. Estas são algumas razões para acreditar que nesta época o FC Porto será mais candidato ainda.

Mas é ingrato o papel de Sérgio Conceição, porque está numa luta desigual em relação à concorrência. Não pôde, nem pode contratar ninguém, está a lidar com erros de um passado recente e lamentável. A questão que se colocará em cada jornada é se este FC Porto reforçado apenas com jogadores da casa, que foram (mal) cedidos a outros clubes, dará conta do recado, se tem gente para substituir castigados ou lesionados, como agora Tiquinho Soares, sem ir ao mercado que ainda está aberto até ao final de agosto. Que não há dinheiro todos sabemos, e também conhecemos os motivos: a gestão ao longo do últimos anos, quer nas compras que foram feitas, nas cedências incoerentes, e em apostas que levantam muitas dúvidas e que se confirmaram como apostas péssimas. Esses foram os motivos. Vai a tempo o FC Porto? Talvez sim, mas terá que formar dentro do balneário uma força de combate capaz de lidar com as situações mais delicadas e inesperadas até, porque ninguém adivinha o futuro.
Já se percebeu, por estes primeiros jogos, que o campeonato vai ser uma luta a três e até ao fim, o grau de dificuldade para ser campeão aumentou, porque o obejtivo dos três grandes está bem enraizado: ser campeão. Terá que ser uma prova de regularidade e de uma dureza se calhar nunca vista nos últimos anos. A ninguém vai ser fácil ganhar.

Sérgio Conceição também sabe disto tudo e o orientou o seu discurso para otimismo que também é preciso entre os portistas. Um discurso coerente, de coragem, animado, bem ao seu estilo. E depois, há a sorte, o fator sorte é muito importante. Oxalá a tenha para este campeonato que tem algo de novo e de salutar: o video árbitro. Estou convencido que vai haver menos erros, não haverá menos polémicas, porque o futebol também é alimentado por elas, mas o próprio árbitro sabe que está mais exposto ao erro de cada vez que entrar em campo.

12.08.2017
M M