Leonor Pinhão, Rui Calafate e Nuno Encarnação

Bancada de Sócios

1. O empate em Paços de Ferreira deve ser interpretado como o resultado de uma tendência de declínio exibicional do Benfica ou como mero acidente de percurso?

2. Ao falhar o assalto à liderança pode dizer-se que falta estofo de campeão a este FC Porto?

3. Faz sentido a obsessão de Jesus e da equipa do Sporting para dar a marcar golos a Bas Dost?

LEONOR PINHÃO

1. Tendo em conta que foi o terceiro acidente de percurso do ano – Boavista, V. Setúbal, P. Ferreira – a tendência preocupante não será para as exibições assim-assim mas para os resultados assim-assado. No entanto, em função do estrambólico empate do Porto no dia seguinte podemos interpretar o empate do Benfica na véspera como uma perversidade só ao alcance de predestinados. Menos perversidade e mais profundidade dariam muito jeito ao Benfica para o que ainda vem aí.

2. O que faltou ao Porto para vencer o Vitória não foi estofo de campeão. Foi ter-se visto na estranha obrigação de jogar uma partida do 1.º ao 102.º minuto – é obra! – contra uma equipa completa de 11 jogadores profissionais. E também faltou que o árbitro apitasse por três vezes, no mínimo, para a marca de pontapé de grande penalidade, o que sempre ajudaria a resolver o assunto. Do que faltou ao Porto, está tudo dito. O que sobrou ao Porto foi a euforia causada pelo acontecimento da véspera.

3. Com mais quatro ou cinco jornadas iguais a esta última, se Benfica e Porto persistirem em desbaratar pontos, o Sporting estará a lutar pelo título em maio. Enquanto este fenómeno não se verificar é plenamente justificado o empenho do treinador e da própria equipa em ajudar Bas Dost a conquistar o título individual de maior goleador europeu. É uma compita com Messi e com o Barcelona, gentes de outra galáxia, e, por isso mesmo, mais empolgante do que a Liga portuguesa, com certeza.

RUI CALAFATE

1. O Benfica tem vindo num declínio exibicional desde há alguns jogos, não é acidente de percurso. A equipa tem oscilado bastante e a meu ver isso deve-se a uma má condição física que é bem visível. Para lá disso, as equipas da classe média do nosso campeonato estão também mais fortes e, como augurei no inicio da época, os ‘grandes’ iam perder muito mais pontos. E isso irá continuar.

2. O Porto tem muita juventude que nunca sentiu o que é a luta taco a taco por um título na I Liga. No domingo, houve muita vontade, pressão, chuveirinho, mas faltou a frieza que é típica da experiência e da matreirice. Os dragões não perderam a ambição e também não perderam nada, a vantagem dos rivais é a mesma, e mesmo uma derrota na Luz pode não ser decisiva pois há pontos que ainda vão ser perdidos. 

3. Primeiro, o Sporting foi o grande vencedor da jornada porque recuperou dois pontos aos rivais e fruto de mais dois golos de Bas Dost. No passado, tanto Yazalde como Jardel já venceram Botas de Ouro ao serviço dos verdes e brancos e seria fantástico que o holandês ganhasse esse título. Seria uma valorização para um jogador que custou 10 milhões, mas que tem merecido todos os cêntimos que gastámos com ele. Essa obsessão de Jesus dá foco e objetivo à equipa.

NUNO ENCARNAÇÃO

1. Não tenho qualquer dúvida que a tendência exibicional do Benfica é esta mesma, a de queda clara. Só não perdeu mais pontos antes por obra e graça do espírito santo (como se costuma dizer). Naturalmente espero, enquanto portista, que essa obra e graça permaneça na próxima jornada onde o Benfica defrontará o Porto. Nuno Espírito Santo que encarne esta obra e graça e tudo ficará mais fácil para os lados do Dragão.

2. Não, nem por sombras. Mais um jogo onde o Porto é prejudicado claramente por erros do árbitro e onde os penáltis deveriam ter feito parte da ficha do jogo. Mas já se percebeu que o Porto não pode contar com estes castigos máximos. Tem de marcar mais golos do que o adversário e pronto. No domingo, a acrescer a isto, realço o antijogo que o Setúbal ousou fazer no Dragão, bem como as duas bolas ao poste na baliza do Vitória. Estofo de campeão? Quem viu o jogo sabe que este Porto o tem. 

3. Faz. Poderá ser o único ‘título’ da época para Jesus. E ainda por cima ele que é o ‘Pai’ de Bas Dost na marcação das grandes penalidades… Tenho a certeza que se por algum acaso Bas Dost ganhar a Bota de Ouro, Jesus será o primeiro a vir a terreno a dizer que os seus métodos de treino fizerem a diferença para que este jogador atingisse esta marca. Jesus é tão previsível quanto os comentadores do Benfica à segunda-feira à noite nas televisões.

21.03.2017
M M