A luz intensa

Pedro Adão e Silva

Pedro Adão e Silva

Professor Universitário
Pedro Adão e Silva

A autoestrada do surf

Dê-se as voltas que se der, Portugal tem um problema estrutural de competitividade. O que produzimos corre o risco de ser imitado pelos chineses, que competem pelo preço, ou feito com mais qualidade pelos alemães. Há, contudo, exceções: uma onda perfeita não pode ser imitada pelos chineses e, por mais que tentem, os alemães não conseguem fazer melhor. A costa portuguesa, de Sagres a Moledo, está cheia de ondas perfeitas.

A questão é, naturalmente, desportiva. Não por acaso, começa hoje, em Peniche, na praia dos Supertubos, a etapa do circuito que apura o campeão mundial de surf. Portugal tem condições de excelência para um campeonato da elite do surf. Mas a questão é, também, económica. O país tem muito a ganhar com o surf: porque permite projetar uma imagem de modernidade do país e porque o potencial económico do turismo de surf é significativo. O surf é, por isso, uma autoestrada de possibilidades económicas, num país cheio de bloqueios.

Mas se o surf português tem hoje grande visibilidade, há um protagonista central desta história. O Tiago Pires, conhecido como Saca, que durante anos, contra todas as probabilidades, disputou o título mundial com australianos e americanos. Um europeu, nascido no meio de Lisboa, que superou as suas circunstâncias e ajudou a pôr o surf português no mapa. O filme ontem estreado, ‘Saca: o filme de Tiago Pires’, é uma justa homenagem e um retrato de um português atípico. Um competidor que, em lugar de procurar desculpas, foi à luta e encontrou oportunidades que não se vislumbravam.

17.10.2016
M M