Hora zero: hora de recomeçar ou de continuar?

Chegou 2017 e, com ele, a esperança, as resoluções e os desejos. É habitual atribuir-se à mudança de ano poderes mágicos e definidores de tendências aleatórias, por vezes consideradas responsáveis pelo surgimento de acontecimentos positivos. Mas, realisticamente falando, tudo continua igual ao que era. São a personalidade, o caráter e a estratégia que levam as pessoas a dar rumo a si ou às instituições a seu cargo. Obviamente pouco adiantará querer recomeçar quando a génese se mantém. Hipocrisia será pedir sucesso sem se ter tomada uma direção.

A Federação Portuguesa de Futebol proporcionou-nos uma das maiores alegrias (atrevo-me a dizer a maior) alguma vez vivida pelo povo adepto. E por todos, no fundo.

Ganhámos à França e somos campeões da Europa! Feito notável garantido por atletas, treinadores e dirigentes. Soube tão bem e até rejubilámos com o surgimento, já na reta final, de protagonistas improváveis. Acaso? Não! Sorte? Não! Segredo? Não há! Atribuo este sucesso a uma decisão estratégica e não aleatória de se ter congregado gente do desporto numa direção encabeçada por um ex-basquetebolista e composta por pessoas que estiveram dentro do campo como atletas ou treinadores. Ou seja, viveram tudo aquilo pelo qual tomam decisões diariamente. Este facto é aferidor de atributos exclusivos: a sensibilidade e o conhecimento trazem credibilidade quando lhes é conveniente dar diretrizes. A FPF foi pioneira no nosso país, mas os bons exemplos continuam por essa Europa fora. Destaco, por exemplo, o Bayern Munique, com Franz Beckenbauer e Karl-Heinz Rummenigge. Dois 'atletas' que continuam a marcar muitos golos para lá das quatro linhas.

Ainda sobre personagens principais e heróis improváveis, quero deixar louvor a um treinador. Seria justo se atribuísse os méritos a Fernando Santos. A verdade é que os tem e são muitos. Mas pretendo chamar a este texto o Rui Jorge. Há muito que não sentíamos tanto orgulho na nossa Seleção de sub-21 – os anos de 89 e 91 já vão longe. O Euro, os constantes apuramentos e a forma direta como encarou as artimanhas dos clubes na célebre convocatória e estágio para os Jogos Olímpicos fizeram emergir um líder. Desde 11/10/2011 – contra a Rússia – que, em jogos oficiais, não conhece a derrota. Excelente – bem sei que falta um título para ser brilhante e ele também o saberá. Conclusões: é um treinador a ter em conta pela sua qualidade de trabalho, princípios e conhecimentos sobre a formação no nosso país. Mais cedo ou mais tarde terá de ser olhado pelos clubes que se preocupam em formar. Mexam-se, meus senhores!

Sobre o meu Sporting apraz-me comentar a vitória moralizadora vinda do Restelo. Como já tinha constatado anteriormente, a entrega e o esforço dos jogadores é fantástica. As coisas por vezes correm menos bem mas eles correm muito. Regozijo-me em ver atletas lutadores e seres humanos empenhados intelectual e fisicamente para dar a volta às adversidades. Sem dúvida alguma, isso tem acontecido em campo. Acusar estes ‘suadores de camisolas’ de algo em contrário seria muito injusto. O caminho terá de ser o de abrir os horizontes, pois quem se equipou e foi para dentro de campo sabe que a recompensa virá. Nem sempre na derrota a culpa é dos nossos. Há, em meu entender, desportivamente falando, dois motivos aplicáveis a estes últimos momentos: os adversários foram melhores e /ou as decisões (embora não ache feitas propositadamente) vieram a verificar-se desajustadas. O desejo de vitória é patente em cada lance disputado pelos jogadores do Sporting. Mostram união entre eles. Querem. Lutam. Vamos nós, do lado de fora, transmitir-lhes a necessidade enorme que temos na conquista de títulos. Queremos já em 2017!

Para fechar 2016: Obrigado à Seleção Nacional de hóquei em patins, aos sub-17 de futebol, à Sara Moreira e à Patrícia Mamona pelos primeiros lugares, ao Bolt e Phelps pelo lugar na história, à Telma Monteiro pelo odor a Jogos Olímpicos e ao professor Mário Moniz Pereira pelos ensinamentos de sempre – e para sempre.

Autor: João Benedito

04.01.2017
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