Opinião

Laura Cordingley CEO, Chelsea FC Foundation; Mentora SIGAWomen

Mentoria para lá das carreiras: construir o futuro do desporto

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Eu já estava na casa dos trinta quando alguém me falou pela primeira vez de mentoria. Tinha começado a trabalhar no Marylebone Cricket Club (Lord’s Cricket Ground) e o meu superior hierárquico, o CEO, perguntou-me se eu tinha um mentor. O conceito era-me algo estranho, respondi que não, e ele olhou para mim e disse: “Laura, precisas de um mentor — haverá momentos em que vais precisar e querer falar com alguém que não seja eu; há pessoas brilhantes por aí, por isso vamos pensar em quem eu te poderia ajudar a conhecer.” 

Essa conversa ajudou-me realmente a preparar o caminho para o sucesso futuro e, fiel à sua palavra, ele ajudou-me a encontrar a minha primeira mentora, uma executiva sénior com experiência nas áreas comercial e de retalho. 

O que aprendi com essa ligação inicial foi imenso. Reuníamo-nos regularmente e analisávamos os meus desafios do momento, mantendo sempre também um olhar sobre o meu futuro. Ela dava-me conselhos e orientação excelentes, ao mesmo tempo que me deixava muito em que pensar, como a importância de construir a minha rede, a minha marca pessoal e de permanecer fiel a quem somos. 

Actualmente, tenho um mentor extraordinário, o John, cuja carreira atravessa o sector financeiro e muitos cargos como Administrador Não Executivo. Tem-me apoiado há mais de oito anos, e ganhei imenso por ter um mentor de longo prazo. A relação é tão sólida que ele sabe quando deve desafiar-me e quando deve apoiar-me. Foi, nomeadamente, determinante para me ajudar a ponderar a saída do meu primeiro cargo como CEO, quando um dia me disse: “Estive a reflecir e, sinceramente, já não precisas de muito apoio da minha parte nesta função — sabes o que estás a fazer, estás confortável — talvez esteja na altura de uma mudança.” 

O que me fez rir nesse comentário foi que, na altura, eu tinha acabado de regressar da licença de maternidade, por isso era a última coisa que tinha em mente, mas era, na verdade, aquilo que eu precisava de ouvir, porque quando, mais tarde, fui abordada para esta função no Chelsea, estava num bom momento para ter essa conversa. Pessoalmente, gosto do facto de ele vir de uma indústria completamente diferente, porque isso lhe dá um grande sentido de equilíbrio e perspectiva na orientação que me oferece. 

Só quando assumi o meu primeiro cargo como CEO, na Chance to Shine, uma instituição de caridade britânica ligada ao críquete, refleti sobre a importância do papel que o meu então chefe teve na criação das condições para o meu sucesso. Ao apoiar-me na procura de alguém como mentora, ele fez a parte que muitas vezes é a mais difícil — encontrar alguém que seja uma boa combinação para nós — particularmente quando estamos numa fase mais inicial do nosso percurso profissional e a nossa rede ainda está em desenvolvimento. 

É por isso que acredito em iniciativas como o programa global de mentoria SIGAWomen. A força deste apoio, juntamente com a ligação inicial e a curadoria de boas combinações, é decisiva. Demasiadas pessoas não têm acesso a redes relevantes e/ou a figuras sénior, em particular líderes mulheres, e, no entanto, são essas pessoas que provavelmente mais beneficiarão desse acesso. 

Atualmente, sou mentora de seis pessoas, na sua maioria mulheres. Por vezes perguntam-me como consigo arranjar tempo — para mim, reservar tempo para apoiar a próxima geração faz parte do meu papel na indústria, para ajudar a assegurar o seu futuro. É importante para mim ajudar os outros da mesma forma que eu beneficiei e, como acontece sempre neste tipo de relações, não é um caminho de sentido único — aprendi muitíssimo com as pessoas de quem sou mentora. Em particular, como descobri ao longo de toda a minha vida através do desporto, através da mentoria conhecemos e falamos com um grupo tão diverso de pessoas que as suas experiências de vida e os seus percursos enriquecem a minha compreensão e alargam os meus horizontes. 

Uma das minhas mentorandas é mãe e senti um enorme orgulho ao ajudá-la a encontrar um equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal que funciona para ela e para a sua família. 

Com a SIGA, fui emparelhada com uma jovem brilhante que trabalha numa federação desportiva internacional. Tem um futuro promissor à sua frente e espero que a minha experiência possa ajudar a contribuir para a sua carreira actual e futura. O facto de este ser um programa verdadeiramente global — que desenvolve uma rede global de futuras líderes femininas — deixa-me muito optimista quanto ao futuro das mulheres que trabalham no desporto. 

Acredito que a mentoria é um dos investimentos mais poderosos que podemos fazer no futuro. Quando elevamos os outros através de orientação e apoio, criamos líderes que continuarão a inspirar a geração seguinte, e a que vier depois dela. 

Clique para mais informação sobre o SIGAWomen Mentorship Programme  

Linha da Frente é um espaço semanal de opinião da Responsabilidade da SIGA 

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