Os dias difíceis de Carrillo

A questão mais intrigante neste início de época do Benfica é o rendimento de André Carrillo. Há qualquer coisa que vai travando a explosão do peruano na equipa de Rui Vitória e por mais teorias que existam não é fácil identificar as verdadeiras razões que têm vindo a prolongar o apagão do craque.

O treinador vai mostrando compreensão, os colegas apoiam e os adeptos ainda mais. Carrillo, de facto, não pode queixar-se. O enquadramento que encontrou no Seixal é perfeito e nem as oportunidades têm faltado: já cumpriu 279 minutos oficiais, distribuídos por 8 jogos.

A situação do peruano não é caso único no Benfica. É, aliás, semelhante à de Zivkovic, jovem sérvio muito prometedor que chegou à Luz nas mesmas condições: a custo zero e depois de uma longa paragem, que resultou também de um processo conflituoso vivido com o anterior clube. Tudo igual. Ou seja, a falsa partida de Carrillo e também de Zivkovic (embora este tenha estado algum tempo de fora por lesão, contraída na pré-temporada) pode bem ser a fatura que as águias estavam dispostas a pagar para ficar com os dois talentosos jogadores.

Ainda há poucos dias Rui Vitória lembrava que iria receber cinco ou seis "reforços" neste mês de outubro, referindo-se aos lesionados de longa duração que estariam perto de regressar. Para além desses, também irá um dia passar a contar com o talento de Carrillo. Só falta saber quando.

O treinador do FC Porto, Nuno Espírito Santo, estaria a preparar-se para dar folga à maioria dos titulares no jogo de ontem com o Gafanha mas deve ter mudado de ideias quando viu as aflições que Sporting e Benfica viveram frente a Famalicão e 1.º Dezembro. Decidiu levar a Taça (muito) a sério, mesmo tendo um importante jogo da Champions já depois de amanhã. Opção respeitável.

16.10.2016
M M