Floresta de pernas

Leonor Pinhão

Leonor Pinhão

Jornalista
Leonor Pinhão

Ou vice-versa, como preferirem

Uma semana depois de Luís Filipe Vieira ter pedido aos benfiquistas opinantes para não fazerem da vida dos "outros clubes" uma fonte perpétua de inspiração, caiu a notícia da queda de Rui Gomes da Silva. Uma coincidência assim levará muita gente a equacionar se o recado do presidente não se destinaria, em primeira instância, a Gomes da Silva, cujas responsabilidades nunca o impediram de se alongar nas suas considerações sobre os inimigos entre outros vaticínios e pragas semanais. A última praga saiu-lhe a propósito do confronto do FC Porto com a Roma.

Poucos saberão de que forma o presidente do Benfica apreciou ouvir um seu vice-presidente afirmar em público o desejo de ver o FC Porto "perder por muitos". Entre os benfiquistas, no entanto, esta última tirada de Rui Gomes da Silva enquanto vice-presidente não teve um receção consensual. Se Luís Filipe Vieira pertencer ao grupo dos que entendem este tipo de atuação como embaraçante, sobretudo num momento em que o Benfica só beneficia marcando a diferença no capítulo da comunicação, ainda menos lhe terá agradado aquela manchete de ‘A Bola’ com um Gomes da Silva em festa pelo não menos disparatado empate do Sporting em Guimarães.

Teve este caso desfecho previsível no instante em que a imprensa começou a dar conta de que a continuidade de Gomes da Silva dependia de Vieira aceitar as suas exigências. No fim, ficou a certeza de que Gomes da Silva "nunca" se candidatará contra Vieira. Ou vice-versa, como preferirem.

Regressou, entretanto, o diretor de comunicação do Sporting. Sobre a sua redação de auto-boas-vindas nada há a dizer. Apenas o último parágrafo poderá suscitar dúvidas. "Aos meus camaradas jornalistas, peço…", escreve Nuno Saraiva pedindo qualquer coisa que nem vem para o caso e que lhe darão de bom grado se for conveniente. A questão é outra. Saraiva é jornalista leal a um código de imparcialidade ou é diretor de comunicação de uma sociedade empresarial que detém um clube de futebol? Serão estas duas funções acumuláveis? No século XX não eram. Aliás, a legítima transferência de um profissional da imprensa para assessorias de interesses privados era assumida como uma viagem sem regresso à profissão de jornalista. Preciosismos, enfim…

E, por fim, o jogo de ontem para a Taça. Foi perfeito. Uma exibição pavorosa com um golo do Danilo para moralizar, um golo do neto do Zé Águas para nunca o esquecermos e um golo do Luisão para decidir.

15.10.2016
M M