São todos iguais

O futebol é igual em toda a parte. Em todas as longitudes e latitudes do Globo se passa o mesmo. Os protagonistas são outros, mas o que se passa nos relvados assemelha-se sempre.

Golos marcados e falhados. Faltas com e sem cartão. Passes bem medidos e passes intercetados pelo adversário. Substituições bem e mal feitas. Remates certeiros e remates que vão para a bancada. Fintas diabólicas e outras que não passam de tentativas de fazer diferente. Disputas de bola pouco viris ou com maldade e agressividade. Treinadores a correrem pela linha lateral, sem noção do espaço e da sua identidade. Treinadores impávidos e serenos como se o jogo já tivesse terminado. Bancada repleta de espectadores a vibrar e a viver o jogo como a coisa mais importante das suas vidas. Estádios vazios, ou quase, onde se ouve uma voz esganiçada a tentar puxar pela sua equipa. A bola a rolar, bem ou maltratada, dependendo do artista que a transporta. Árbitros a tomar decisões serenas e equilibradas, ou a decidirem precipitadamente e sem sentido, influenciando assim o resultado final.

É uma mão-cheia de coisas, de acontecimentos, de palavras e de sentimentos, que fazem deste jogo o espetáculo mais intenso, arrebatador e apaixonante do Mundo. E que consegue juntar, no mesmo espaço e em contacto, vendedores, ministros, doutores, sapateiros, empregadas de escritório, intelectuais, analfabetos e muitos outros com registos pessoais diferenciados, mas que, ali, são todos iguais.

E esta realidade social, que deveria servir para nos humanizar, muitas e muitas vezes serve, ao contrário, para nos vulgarizar e inferiorizar...

16.07.2017
M M