O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz

Carlos Barbosa da Cruz

Advogado
Carlos Barbosa da Cruz

Um pote de massa

Como sportinguista quero muito ganhar este campeonato, antes de ganhar a taça europeia que o presidente promete, desde que votem nele, claro.

Em conversa com um amigo benfiquista, chegámos à conclusão que, tanto quanto ganhar campeonatos, davam recíproco prazer os jogos Sporting-Benfica, que, quer se queira quer não, são sempre pontos altos da competição. E cada um tem os seus referenciais de estimação, nos quais incluo os quatro golos do Lourenço na Luz e os míticos 7-1 em Alvalade, assim como o Benfica exalta os 5-3 da despedida de Marcello Caetano ou os 6-3 do João Pinto, servidos de bandeja pelo Carlos Queiroz.

Por muito que custe à concorrência, um jogo entre Sporting e Benfica, em futebol senior, é o evento desportivo nacional de maior notoriedade, ao nível de uma visita do Papa e que vale, no mínimo, cinquenta concertos da família Carreira. Não interessa quem está bem ou mal, à frente ou atrás, o jogo concita sempre a mesma intensidade de paixões, a mesma incerteza, a mesma visibilidade e, salvo exceção, estádios cheios e cobertura mediática intensiva.

Chega-se a este paradoxo singular; o Sporting e o Benfica, que tão mal se dão, são os donos em compropriedade plena de um dos ativos mais valiosos do desporto português., mas que não podem rentabilizar um sem o outro. Quanto valerá em termos económicos um Sporting - Benfica, ou vice-versa? Entre bilheteira, televisão, merchandising e a movimentação de todo um conjunto de atividades adjacentes, arrisco que vários milhões. E a questão que se coloca é esta: mesmo que as relações estejam ao nível pouco edificante que sabemos, se o povo gosta e dá dinheiro, porque é que não há mais?

E não estamos a falar só em Lisboa; em 1971, Sporting e Benfica defrontaram-se no Parc de Princes, em Paris (por acaso o Sporting ganhou), perante uma assistência de 50.000 pessoas, na altura a maior que havia memória em França para um jogo de futebol! Proponho que haja anualmente um jogo que não esteja sujeito aos caprichos dos sorteios (garantidos só estão os dois do campeonato), alternadamente na Luz e em Alvalade, de preferência no início da época, em que, como se sabe, estamos todos com saudades do futebol.

19.10.2016
M M