Caderno de apontamentos

Jorge Barbosa

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Editor chefe
Jorge Barbosa

Uma lição para Nuno

O FC Porto sofreu ontem para chegar à vitória, mas conseguiu relançar a sua candidatura à qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A ideia de jogo de Nuno falhou na primeira hora, tendo até aí sido surpreendente a falta de atitude e de capacidade demonstrada pelo dragão. Com a entrada de Brahimi e Corona, nos últimos 30 minutos, abriu-se um novo capítulo no jogo, o sistema mudou para o 4x3x3, e a superioridade finalmente demonstrada permitiu a reviravolta. Nuno terá ontem aprendido que deve deixar a sua teimosia de lado, indo, sim, ao encontro das características dos seus melhores jogadores. Uma ótima notícia entre duas más notícias na atualidade do dragão.

Más contas. Os números não têm duas leituras possíveis: o prejuízo na última época, marcada pelo absoluto insucesso desportivo pela SAD do FC Porto, atingiu os 58,4 milhões de euros, mas o mais preocupante é que o passivo já chega ao incrível valor de 350 milhões. Para enegrecer este cenário, basta atentar que os capitais próprios baixaram de 83 para 25 milhões de euros só na última época, despertando o fantasma de novo aumento de capital. Há ainda um fundo de maneio negativo de 87 milhões de euros, para além de que 65 milhões dos contratos com a PT/Altice já estão a ser consumidos pelos custos descontrolados da SAD. Estes números chegam e sobram para se chegar à conclusão de que tem havido má gestão, e das três, uma: ou se arrepia caminho ou os acionistas encontram soluções credíveis ou então qualquer investidor estrangeiro tomará conta da SAD do FC Porto, o que será o mais provável.

Helton. A rescisão com Helton tinha tudo para não ser caso, como foi, mas a falta de tato na gestão deste dossiê contribuiu para que se criasse um ruído desnecessário e prejudicial às duas partes. Valeu o perfil descontraído do brasileiro para sanar a polémica. Helton justificava outro tipo de tratamento na despedida, mas já no passado outras figuras, umas até com mais projeção e outras sem a influência que julgavam ter, partiram sem o devido reconhecimento e até humilhadas, não obstante terem voltado mais tarde para cargos hoje em dia importantes, apesar das muitas críticas veladas que teciam quando estavam no lado de fora.

18.10.2016
M M