A candidatura de Luís Figo à presidência da FIFA tem de ser vista sobre diversas perspetivas, mas, logo à partida, é um motivo de orgulho nacional que merece o nosso apoio incondicional.

Trata-se de um ato de coragem. Não apenas da parte da FPF que decidiu lançar o repto a Figo mas também, e muito especialmente, do próprio candidato. Desafiar um imenso e tentacular poder, instalado há tantas décadas, é uma empreitada que não está ao alcance de qualquer um. O próprio Platini recuou na intenção de se candidatar à FIFA quando Blatter anunciou que ia a votos.

A candidatura de Figo representa também a vontade de projetar um novo ciclo. Por um lado, um ciclo de maior transparência, de maior solidariedade, de regeneração e de inovação. Por outro, um ciclo de renovação onde os homens do futebol assumem protagonismo e responsabilidades. Hoje, os antigos jogadores estão cada vez mais preparados para continuarem a servir o futebol em todas as áreas e a desempenhar funções e cargos de maior relevo.

Luís Figo aponta alto. Mais alto não há. Saber se não estará a dar um passo maior que a perna é legítima dúvida que, por certo, assaltará os espíritos mais céticos. Mas Figo tem aquilo que outros não terão, a começar por Blatter: uma genuína paixão pelo futebol, uma vontade desinteressada de o servir e uma equipa – liderada por Tiago Craveiro, cuja competência profissional e devoção às causas fazem as coisas acontecer – que antes de ganhar votos já começou a somar pontos.

Blatter terá um adversário que o fará sentir-se no mínimo desconfortável e que colocará na agenda do debate aquilo que é a razão de ser da FIFA: não, não é o dinheiro; é o futebol.


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