Portugal é campeão da Europa! Finalmente, temos a recompensa do tanto que já contribuímos para o futebol com o imenso talento e a enorme paixão que sempre alimentámos. Dez de julho de 2016 passa a ser uma data histórica para Portugal. Paris, que já era uma cidade especial para os portugueses, tornou-se agora a capital da nossa maior conquista. Não poderia haver local mais simbólico para uma proeza desta dimensão.

Queremos lágrimas de alegria foi o apelo que o Record fez no dia em que Portugal jogou a segunda final da sua história. No fim, o desejo cumpriu-se mas primeiro ainda vimos lágrimas de dor na face de Cristiano Ronaldo. O ‘homem máquina’ cedeu após uma entrada intimidatória de Payet e, de repente, a Seleção ficava órfã da sua superestrela. Se o desafio era enorme, ali tornou-se gigantesco. E, seguramente para muitos, parecia ser impossível vencer. Pensar numa final sem Cristiano Ronaldo era inimaginável. Acreditar que seria possível ganhar sem ele, era simplesmente inadmissível. No entanto, se perdemos o melhor jogador, ficámos com mais um líder no banco e reforçámos o espírito solidário de uma equipa que teve no compromisso total e na capacidade de superação duas armas que nenhum adversário foi capaz de igualar.

Naquele pontapé de Éder que nos deu um título histórico não ia apenas o destino de uma bola rematada por um herói improvável. Ia a força de um passado carregado de ilusões e desilusões e de um presente cheio de ambições.


Foi Fernando Santos o primeiro a colocar a fasquia no ponto mais alto. Abriu as portas do sonho mas os portugueses tiveram dificuldade em sonhar com ele. Talvez por estarmos tão marcados por adversidades e fatalismos que na esquina da glória nos privam da felicidade plena. Talvez porque apesar do empenho e da generosidade, o nosso fado parece que tem de ser sempre triste. Aos poucos, porém, acendeu-se a chama da crença. Diria mesmo, a chama da fé. E ontem ela esteve presente não apenas no relvado do Stade de France, mas em todo o mundo português. As imagens e os testemunhos do dia de ontem assim o comprovam.

Há muitos heróis nesta aventura. Os jogadores, os treinadores, os adeptos. Mas ninguém pode esquecer também muitos dirigentes e no caso particular, o presidente da FPF, Fernando Gomes. A escolha arriscada que fez revelou argúcia, convicção e visão. É o que distingue um líder.

Autor: António Magalhães