O Record comemora hoje 65 anos e cumpre-me assinalar a data com a formalidade que se impõe. Desde setembro que o meu nome passou a integrar o quadro de diretores que lideraram o jornal (até agora onze, uma equipa de futebol!) facto que muito me orgulha e, naturalmente, me responsabiliza.

Com as devidas diferenças, todos foram aquilo que hoje também sou: o rosto de quem está na primeira linha de um grupo de jornalistas, cujo brio e profissionalismo são intocáveis e a paixão pela causa e pela casa não conhece limites.

Os 65 anos do Record simbolizam na perfeição o saber de experiência feito de uma marca que, ao mesmo tempo, teve sempre a capacidade de se rejuvenescer. Uma virtude impulsionada pelo espírito irrequieto próprio de um júnior que diariamente persegue os seus sonhos.

O melhor exemplo desta forma de estar é o jornal que diariamente pomos na rua. Estimulados pelo frenesim dos acontecimentos do dia a dia, não deixamos nunca de olhar para a história de um passado enriquecedor.

Quando nos abalançámos à produção de um suplemento para comemorar este aniversário do Record procurámos isso mesmo: ser iguais a nós próprios. Quisemos acentuar aquilo que nos distingue e que também nos faz felizes: trabalhos jornalísticos que resultassem num produto final atraente e imperdível. Posso estar muito enganado, mas creio que conseguimos o que pretendíamos.

Nesta nossa caminhada, um dos grandes desafios era convencer António Lobo Antunes a conceder-nos uma entrevista. Ficámos a saber que tínhamos em casa uma arma secreta para seduzir o autor de “Caminho como uma casa em chamas”, o seu último livro. Bastou um nome, com cinco letrinhas apenas, para desbloquear a situação e tornar a missão possível: Águas. Zé Águas, melhor assim. O nome é mágico para Lobo Antunes e a proposta de ser entrevistado pela neta do grande capitão do Benfica foi suficiente para que o escritor abrisse as portas de sua casa. Mariana Águas partiu nervosa, mas voltou com um intenso brilho nos olhos.

A vida e o jornalismo são uma aventura feita de desafios diários. Lançámos, pois, mais reptos a nós próprios e a outros protagonistas. Fábio Sturgeon, internacional sub-21 que está a ser uma das figuras do sensacional Belenenses esta época, aceitou ser transformado no respeitável senhor Sturgeon que, aos 65 anos, completados em 2059, desfiou as suas gloriosas memórias futebolísticas.

O 65 foi a ideia que projetou este suplemento e com ela convencemos o velocista português Yazaldes Nascimento a fazer uma corrida naquela distância com um jornalista do Record. Bom, difícil mesmo foi convencer um jornalista do Record a correr com Yazaldes Nascimento. O resultado não foi surpreendente.

Como um jornal não existe sem leitores, quisemos prestar homenagem a um dos nossos mais fiéis (seguramente o mais devoto) seguidores. Vasco Gonçalves veio do Fundão até Lisboa para conhecer onde e como se faz o jornal de que não falha uma edição desde há 22 anos. Definitivamente, o Vasco é um grande camarada!


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