No futebol atual, são cada vez mais usuais alas que jogam com o pé contrário, não necessariamente muito velozes, mas evoluídos tecnicamente e competentes a compreender o jogo. O tempo dos médios-ala/extremos cujo principal objectivo era ultrapassar o lateral em velocidade, chegar à linha de fundo e cruzar, é passado. Hoje em dia, o jogo pede outro tipo de atributos.

É neste contexto que surge Bruno Xadas, médio-ala do Sporting Braga e da Selecção Nacional sub-21. É mais um talento surgido do inesgotável viveiro lusitano de jovens jogadores, que promete ser um caso sério no futebol nacional. Senhor de uma magnífica capacidade técnica, mescla movimentos para fora, com dinâmicas interiores, onde se associa com os colegas em passes e tabelas, com o objectivo de causar desequilíbrios na organização adversária. A competência de remate também está presente.

Distingue-se de jogadores tecnicamente similares, pelo entendimento que revela do jogo, em que cada acção que protagoniza, traz sempre subjacente uma ideia colectiva. Identifica com assertividade os timings de soltar a bola, porque o mesmo passe, pode ser bom ou mau, consoante o tempo em que é executado. Conduz enquanto há espaço, atrai oposição, fixa adversários e solta no momento ideal, deixando colegas em melhores condições (mais livres) de continuar o lance. Pequenos pormenores que fazem uma diferença tremenda. E são esses pormenores que o podem catapultar para patamares bem elevados. Porque bons pés há muitos, mas pensar não é para todos...

Autores: Bruno Pinto, 35 anos, gerente de loja