Linha direta

Hugo Neves

Hugo Neves

Jornalista
Hugo Neves

E, para si, quem é o melhor treinador de futebol da atualidade?

Antes de mais, experimente fazer este exercício: à entrada do defeso, chegava ao Real Madrid, Barcelona, Bayern, Manchester United e Manchester City e avisava os respetivos treinadores de que não poderiam fazer contratações e só estavam autorizados a trabalhar com os jogadores que tinham contrato com o clube. Estou certo de que alguns diriam que não poderiam continuar no clube e se é verdade que tal situação já se passou com Barcelona e Real Madrid, não é a mesma coisa passar-se com... o Atlético de Madrid. Diego Simeone tem feito um trabalho excecional desde que aterrou em Manzanares e impôs apenas uma condição para renovar pelo clube neste verão: não vender nenhuma das pérolas do plantel. Enrique Cerezo fez-lhe a vontade e o Atlético parece esta época ter recuperado o fulgor que lhe faltou nas últimas duas épocas.

Simeone reuniu as tropas e soube motivar os mesmos jogadores, com os colchoneros a entrarem muito bem nesta temporada, com vitórias convincentes como as que já alcançaram no ano do último título. O técnico argentino não desiste de tentar ganhar a Liga dos Campeões e, ao plantel fortíssimo e oleado que já tem, ainda vai acrescentar Vitolo (ex-Sevilha) e Diego Costa (ex-Chelsea) em janeiro. Considero-o, neste momento, o melhor treinador da atualidade pela dificuldade que é gerir um grupo em que não entraram caras novas e foi preciso (re)motivar o grupo a elevar a fasquia, mostrando resultados de qualidade.

No pódio, coloco ainda um técnico português e um italiano. Inevitavelmente, Leonardo Jardim. Se para Simeone terá sido complicado motivar internamente um grupo que não recebeu caras novas, o técnico do Monaco viveu um desafio bem diferente. Perdeu vários jogadores e algumas figuras do onze - destaque para Mbappé, Bernardo Silva, Bakayoko e Mendy - mas Jardim soube reforçar-se a preceito, com boas apostas nomeadamente na recta final de mercado: Ghezzal, Jovetic e Keita Baldé foram jogadas de mestre. O setor defensivo não foi muito afetado e o técnico reconstruiu o meio-campo, mantendo a aposta num Falcão revigorado. Este Monaco volta a encantar e coloca, para já, em causa o 'passeio' que muitos julgavam que o PSG iria fazer sozinho em França.

Em terceiro lugar está o italiano Maurizio Sarri: fabuloso o trabalho desenvolvido no Nápoles, equipa cujo maior encanto é a filosofia de jogo que o técnico implementou no clube do Sul de Itália. O jogo apoiado, a partir de trás e sem acusar muitas vezes a pressão intensa do adversário dá gosto ver. A equipa joga em perfeita harmonia e tem vários desequilibradores na frente. É um regalo à vista ver o que os adeptos do Nápoles já apelidaram de 'Sarrismo': o jogo apoiado a partir de trás, sem nunca recorrer ao jogo direto e pontapé na frente. Só tem vitórias na Serie A e parece estar finalmente um concorrente sério ao domínio da Juventus em Itália.

Poder-me-iam dizer vocês que me esqueço de Pep Guardiola - que fabuloso arranque do City, meu Deus! - ou do próprio Allegri - a Juventus é uma máquina - e até de José Mourinho, que revitalizou o Manchester United. Mas este trio orienta clubes onde o dinheiro não é problema - principalmente o City - e habituaram os adeptos a ganhar títulos, no que toca aos últimos dois. Fazer omeletes sem ovos de topo de gama é que é difícil. Mas digam-me então qual o melhor treinador de futebol da atualidade para vocês?

PS.: Uma nota final para as desilusões deste início de época: o Bayern de Ancelotti, que parece ter ainda alguns grãos na engrenagem; o Real Madrid de Zidane que não tem sabido lidar com a pressão dos jogos no Bernabéu; o Liverpool, onde Jürgen Klopp ainda não conseguiu colocar a equipa num patamar superior ao cabo de quase dois anos no clube e mantém muitas carências defensivas; e ainda o Milan que, apesar do investimento brutal no defeso, ainda precisa de dar um salto qualitativo no futebol que apresenta. Mas isto é só o início de época.

22.09.2017
M M