Os euros que fazem falta

Todos sabemos que os clubes portugueses vivem com dificuldades económicas. Os pequenos… desde sempre, os denominados grandes… desde os tempos (que já vão bem distantes) em que resolveram gastar consideravelmente mais em relação ao que geravam. Durante anos e anos, a mão amiga dos bancos, os adiantamentos de verbas respeitantes aos contratos televisivos, a emissão de obrigações e coisas do género, etc, etc, foram ajudando a esconder a dura realidade. Agora, quando a crise se generalizou e até alguns dos que permitiam este ‘empurrar com a barriga’ se encontram encostados à parede (veja-se a realidade das instituições financeiras cá da terra e não só), não há mais espaço para conversas de entreter, para ignorar o que os números dizem. Resta ‘inventar’ dinheiro e sobreviver.

Vender (a bom preço) jogadores formados nas respetivas academias ou jovens comprados em mercados acessíveis é um dos caminhos obrigatórios para os principais clubes nacionais. Porém, isso é uma tarefa que depende sempre da vontade alheia em querer adquirir determinados atletas. Sobra uma outra opção: amealhar o máximo possível nas competições europeias. Aliás, quando mais longe se conseguir ir nas provas da UEFA mais sobe a cotação dos jogadores.

Benfica, Sporting e FC Porto não tiveram um começo brilhante na edição 2016/17 da Liga dos Campeões. Bom, os leões até se exibiram em grande plano em Madrid, mas como o que interessa (desportiva ou financeiramente) são os resultados, à entrada da 3.ª ronda da fase de grupos, os representantes nacionais precisam de resultados positivos para continuar a sonhar com a qualificação. Desportivamente isso é importante, mas financeiramente é praticamente decisivo. Tal objectivo é essencial para que, daqui a um ano, as contas a apresentar não sejam tão negras como aquelas que se viram há uns dias. Mesmo um ou outro exercício positivo são insuficientes num mar gigantesco de passivos que, tecnicamente, consideram tais SAD’s
falidas.

Para que o futuro, dentro da imagem que conhecemos, não esteja em causa, Benfica, Sporting e FC Porto estão obrigados a fazer resultados positivos hoje e amanhã. Será fácil? Não, com toda a certeza, mas mesmo deixando de lado a componente financeira, se as águias tremerem perante um Dínamo de Kiev que já foi claramente mais forte, os dragões diante um Brugges que está longe da elite europeia e os leões (em casa) face a um Dortmund repleto de ausências… então pouco ou nada há a fazer nesta Liga dos Campeões.

17.10.2016
M M