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Miguel Amaro

Miguel Amaro

Redação
Miguel Amaro

VAR serve para ajudar os árbitros

Durante três anos tive um blog dentro do site do Record. No Honores Liga, assim se chamava, defendi muitas vezes os árbitros. Não por ter algum interesse nisso, não sou amigo de nenhum deles e o único que conheço pessoalmente até nem é através da minha actividade, nem é da 1ª categoria.

Defendi-os muitas vezes, dizia, porque sempre achei muito difícil a sua actividade e também pela coragem. Passar os primeiros anos da carreira a ser insultado pelos progenitores de miúdos da formação não deve ser agradável. Depois, os que chegam à 1ª categoria, passarem o resto da carreira a serem insultados por milhares de adeptos… Não poder sair à rua depois de um jogo mau não deve ser nada agradável.

Ok, ninguém os obrigou, mas adiante. Defendi-os muitas vezes por achar muito difícil o facto de terem de decidir um lance no momento, sem repetições, sabendo que em casa milhões de adeptos estão a ver o mesmo lance vezes sem conta e em velocidade retardada.

Admirava-os por isso e nunca consegui perceber como é que milhares de portugueses, para não dizer seis milhões, não ficaram orgulhosos com a carreira de Pedro Proença, um dos melhores que vi, mas isso já entra na falta de cultura desportiva do país, não é o caso para agora.

Fiquei satisfeito com a chegada do VAR. Não veio, nem nunca vai, resolver tudo. Haverá sempre a questão da intensidade colocada numa falta ou o critério de avaliação num lance de mão na bola ou bola na mão. Isso nunca mudará. Agora, nos casos de foras-de-jogo, os árbitros passaram a ter uma grande ajuda.

Esta época já vimos jogadas interrompidas por foras-de-jogo mal tirados mas acho isso desculpável. Estamos no ‘ano 1’ do VAR, os auxiliares estão a adaptar-se, com o tempo, acredito, vão deixar seguir todos esses fora-de-jogos duvidosos e esperar pela confirmação do VAR. Seguramente, quando chegarmos a esse ponto, vai aumentar a verdade desportiva.

Não percebo qual é o problema dos nossos árbitros em relação ao VAR? Não sei se se sentem inibidos de ir ver as imagens ou se temem dar com isso a ideia de não confiarem em quem está a ver na Cidade do Futebol. Vejo jogos da Serie A e os italianos vão muito mais vezes ver na televisão que está junto ao relvado.

O VAR é uma ferramenta para ajudar os árbitros. Custa-me a acreditar que em muitas ocasiões quem está no VAR não diga: "epá, é difícil, tenho dúvidas, vai tu ver!" Será que não o fazem mais vezes?

Depois, a história do protocolo. Acredito que o tal protocolo vai ser alterado. Além das quatro situações actuais – golos, vermelhos, penáltis e identificação de jogadores – vão entrar outras alíneas. Entre elas, nem devia ser preciso, a do bom senso. Não percebo como é possível um VAR não avisar quem está no relvado quanto este está a prolongar demasiado o tempo de descontos? Sim, eu sei que o cronómetro do árbitro é que conta mas com milhões de pessoas a seguirem o jogo na tv, milhões a verem que já passa do tempo, e quem tem oportunidade não avisa o homem (não sei se avisou)?

Vão continuar a acontecer erros, até na interpretação das imagens, que podem enganar – o penálti assinalado no Bessa contra o Marítimo, quando a bola bateu no peito do defesa, foi o lance mais mal assinalado nesta Liga. O VAR avisou, o árbitro foi ver as imagens e assinalou na mesma… Mas muitos podem ser evitados. Se um jogador em fora-de-jogo se faz ou não à bola, se atrapalha ou não a visão do guarda-redes não pode ser julgado apenas pela indicação do VAR – este pode interpretar de uma forma e o árbitro de outra.

O VAR é uma ferramenta para ajudar os árbitros e, felizmente, veio para ficar. Falta só a tecnologia da linha de golo para evitar outros erros gritantes – o Vitória de Setúbal que o diga – mas também esse vai acabar por chegar.

Se é para ajudar, vão ver as imagens. Se o VAR tem dúvidas que o diga. É preferível irem ver mais vezes e falharem menos. Assim, não serão tão insultados nas redes sociais nem oficialmente pelos clubes mais poderosos. Assim, vão poder andar mais à vontade nas ruas, de certeza.

25.02.2018