1. Comportamento dos adeptos: arremesso de objetos como prática aceitável?

Caros leitores, permitam-me iniciar, já de antemão concluindo, que a temática abordada no presente artigo não pretende fazer distinção entre o comportamento perpetrado pelos GOA e pela demais universalidade de adeptos. Ademais, não ignoramos que a temática ora em discussão diz, principalmente, respeito a um conjunto minoritário de indivíduos e não à globalidade dos adeptos. A temática do (mau) comportamento dos mesmos, em especial do arremesso de objetos, tem vindo, semana após semana, a assumir um distinto protagonismo no desporto português.

Repare-se: o adjetivo com o qual descrevemos o protagonismo é por demais simpático, quando a temática ora em voga não prestigia, pelo contrário, denigre a imagem do desporto nacional (in casu, do futebol).


As consequências deste comportamento perpetrados por aqueles adeptos podem assumir sanções para os respetivos clubes, sendo que, os mais prejudicados são, desde logo, os clubes com menor poder financeiro.

A quem são imputadas e onde estão previstas essas sanções?

O Art. 172.º do Regulamento Disciplinar da LPFP prevê uma responsabilidade objetiva dos clubes pelas condutas dos seus sócios ou simpatizantes. Com respeito ao arremesso perigoso de objetos, se o mesmo assumir reflexo grave no jogo, então a infração disciplinar pode ser considerada muito grave (se a interrupção do jogo for superior a 10 minutos) ou grave, estando respetivamente prevista nos Art. 178.º e 183.º. Se o arremesso não assumir reflexo grave no jogo, então a infração disciplinar pode ser considerada como leve, estando prevista no Art. 186.º e 187.º. Resumidamente, estão previstas, essencialmente, sanções de multa, que podem chegar até aos 200 UCs, mas também sanções de realização de jogos à porta fechada.

Os clubes podem e devem assumir um papel cada vez mais incisivo na sensibilização dos adeptos à adoção de comportamentos positivos.

Autores: Respostas dadas por Fábio Figueiras, associado nº 236, www.apdd.pt