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Jorge Cadete: «É fácil candidatarem-se à presidência do Sporting»

Antigo avançado admite ter sido contactado por várias candidaturas mas garante não apoiar nenhuma delas

RECORD – O seu nome surgiu associado ao processo eleitoral que está a decorrer no Sporting. Tem ligação a alguma das listas que se apresentam a sufrágio?

JORGE CADETE – Há tempos, logo no início do processo, Zeferino Boal ligou-me, numa altura em que eu estava completamente afónico – por causa das aulas com os miúdos, estive quase uma semana sem falar. Ligou-me e, como eu não conseguia falar, disse-me que me ligaria no dia seguinte. Não me ligou. Mandou-me uma mensagem. Não falámos, mas o certo é que o meu nome apareceu na Comissão de Honra da candidatura dele. Entretanto, um amigo meu tinha-me dito que o Doutor Frederico Varandas queria falar comigo e eu expliquei-lhe que, apesar de nunca ter escondido que sou do Sporting, não queria apoiar qualquer dos candidatos que estavam a aparecer. Ele ficou curioso e eu expliquei-lhe que, quando há eleições no Sporting, aparecem sempre inúmeros candidatos, mas que considero ter muito mais a dar ao clube do que apenas colocar o meu nome nas comissões de honra.

R – Disse-o pessoalmente a Frederico Varandas ou a alguém próximo dele?

JC – Falei com ele e ficámos de conversar. Porquê? Porque no dia em que surja um candidato que já tenha estado dentro do campo de futebol, se tenha sacrificado pelo Sporting, suado a camisola, sangrado a camisola, abdicado de férias para ser operado, pelo Sporting, que saiba qual é esse sentimento, aí sim, terei o maior prazer – e será uma honra para mim – pertencer apenas à sua comissão de honra.

R – Candidatos institucionais não contarão com o seu apoio?

JC – Não é nada contra os candidatos, mas é muito fácil uma pessoa candidatar-se à presidência do Sporting. Eu posso ser sócio há 50 anos, mas ser sócio de bancada. E posso sê-lo há 12 anos, mas ser sócio e vestir a camisola e sofrer lá dentro. Ser insultado depois dos jogos, ser insultado na rua e, mesmo assim, continuar a vestir a camisola do Sporting. Sem ter medo de dar a cara. Aí, eu tenho de reconhecer que se sente o que é o Sporting. Não digo que os sócios de bancada não sentem o Sporting. Sentem, mas é muito fácil estar na bancada e assobiar e chamar nomes aos jogadores quando eles jogam mal. É falta de respeito. Como é que ele, com 50 anos de sócio, quer ser candidato, se já me insultou como atleta?

R – Mas há mais...

JC – Entretanto, um amigo meu mandou-me uma mensagem a dar-me os parabéns, a dizer que já tinha visto e a desejar que corra tudo bem, porque eu estava na Comissão de Honra do JMR [José Maria Ricciardi]. Para ser sincero, ninguém falou comigo sobre isso. Esse amigo até me mandou um ‘print’ do site de campanha. Ainda não vi.

R – Portanto, o seu nome surge associado a mais do que uma candidatura?

JC – Frederico Varandas ligou-me, falámos pessoalmente e eu pedi-lhe que não levasse a mal o que eu lhe ia dizer, mas que já tinha dito ao meu amigo que me ligou . Disse-lho a ele também.

R – Entende que poderia ser uma mais-valia na Academia de Alcochete com qualquer um dos candidatos?

JC – Vou ser sincero. Deixei de jogar em 2002 e, durante uns 10 anos, tive sempre a ilusão de poder regressar a Alvalade. Em 2009, estive um ano e tal à espera de uma reunião com José Eduardo Bettencourt, para assumir o pelouro das relações externas. Com Godinho Lopes, a mesma coisa. Na minha opinião, nenhum deles deu o devido valor a um jogador que jogou 12 anos no Sporting, foi capitão de equipa, aos 22 ou 23 anos, por antiguidade no clube. Durante quatro anos fui capitão de equipa, até me afastarem do Sporting.

R – Ainda guarda o sonho de um dia regressar ao Sporting?

JC - Há cerca de cinco anos, perdi a ilusão de voltar ao Sporting. Alguém me disse que temos de continuar sempre a sonhar, mas eu já não sonho. Quando somos pequenos, o tempo passa e o nosso sonho vai crescendo, mas, quando atingimos uma certa idade em que começamos a ficar menos tolerantes à ingratidão, à falta de reconhecimento e à falta de respeito, os sonhos que poderíamos ter começam a diminuir. Deixei de ter essa ilusão, porque adotei um novo lema de vida. Aos 50 anos, fazer a vida que, normalmente, faria aos 70 ou 75. Não vou esperar pelos 70 ou 75 anos para ter mais tempo livre, para passear por onde quero, para ir à beira-mar, para ir à montanha... Não vou esperar pelos 75 anos porque posso ter essa vida agora.
Por João Lopes
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