Estudo propõe melhoria no acesso aos cuidados de saúde da visão em portugal

Listas de espera excessivas por consulta de oftalmologia têm solução.

Um estudo realizado pela Nova School of Business & Economics (Health Economics and Management Knowledge Centre), da Universidade Nova de Lisboa, revela que 25 por cento dos pedidos de consulta de oftalmologia podem ser resolvidos por optometristas, dada a natureza das condições referenciadas e caso estes profissionais fossem integrados no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Esta é uma das recomendações apresentadas por este trabalho de investigação, e que visa "a generalização dos programas de rastreio e a redução ou mesmo eliminação dos tempos de espera para consulta de oftalmologia".

Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas cerca de 53 por cento das consultas de oftalmologia são realizadas em conformidade com o tempo máximo de resposta garantida. Os números apontam para um tempo médio de espera para consulta de cerca de seis meses com máximos de aproximadamente três anos, os segundos piores resultados para uma especialidade do SNS.

Este estudo aponta que o efetivo acesso universal aos cuidados de saúde da visão "requer o desenvolvimento de políticas de saúde ativas que permitam reduzir as várias barreiras de acesso a cuidados de qualidade e evitem o empobrecimento por pagamentos diretos na população necessitada#.

É com esta fundamentação que indicam que "Como verificado em outros países europeus, a regulamentação específica da profissão do optometrista é um ponto essencial para assegurar o acesso dos doentes a profissionais qualificados, aumentar a segurança pública e segurança do doente, e prevenir a fraude."

Com isto, segundo o estudo, "se se considerar que um optometrista pode realizar em média 6.000 consultas por ano, tal como em outros países europeus, a integração destes profissionais no SNS possibilitaria minimizar as listas de espera, através da triagem de casos que seriam posteriormente encaminhados para os cuidados de saúde diferenciados de oftalmologia".

Para alcançar este cenário e assegurar o acesso universal aos cuidados de saúde da visão em Portugal, os investigadores responsáveis por este estudo propõem as seguintes recomendações:

1. Regulamentar a profissão de optometrista;

2. Implementar projetos piloto de integração de optometristas ao nível dos cuidados de saúde primários do SNS;

3. Aumentar a população coberta pelos modelos de reembolsos à aquisição de lentes e armações.

É apontada a implementação de projetos-piloto de integração de optometristas ao nível dos cuidados de saúde primários do SNS com "O desenvolvimento de experiências piloto permitirá estabilizar um modelo de prestação de cuidados de saúde da visão ao nível dos cuidados de saúde primários e avaliar o seu impacto", lê-se no documento.

Mais de dois milhões de pessoas apresentam dificuldades de visão em Portugal, sendo os erros refrativos a principal causa de disfunção da visão, atingindo, segundo as estimativas, mais de 50 por cento dos portugueses. De seguida surgem a ambliopia, a diabetes ocular, a catarata, entre outros. O número de pessoas com problemas de visão tende a aumentar conforme a idade, alcançando entre 30 a 32 por cento no grupo etário entre os 45 e os 74 anos.

Este estudo, conduzido pelo Nova SBE Health Economics and Management Knowledge Centre, teve como objetivo analisar o acesso dos doentes aos cuidados de saúde da visão em Portugal e propor recomendações de melhoria do sistema de saúde.

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