Barroso: «Jesualdo Ferreira ficou com a cara toda pisada»

O dia em que tombou o treinador na sua apresentação no 1.ª Maio e muitas outras históricas deliciosas

• Foto: Arquivo

RECORD - Conte lá essa história em que fez tombar Jesualdo Ferreira num treino no Sp. Braga?
BARROSO - Foi logo no primeiro treino dele, no 1.º Maio. Estava uma bancada cheia de adeptos para ver a apresentação dele e eu estraguei aquilo tudo (risos). A partir daí, ele fez-me a chamada cruz e nunca mais me gramou (risos). Aquilo foi mesmo azar. Era um treino só de meio-campo, muito intenso, ele lá no meio e de repente dei um daqueles pontapés e a bola bateu-lhe na cara. Os meus colegas começaram logo na brincadeira a dizer "mataste o homem". Veio o fisioterapeuta, na altura acho que já era o Francisco Miranda, e o professor Jesualdo ficou ali meio a cambalear. Foi incrível. Ao outro dia, apareceu-nos no treino com a cara toda pisada e negra. Claro que foi tudo sem querer, mas aquilo fez um bom derrame. A partir daí, o professor fez-me várias cruzes, não foi só uma e a malta de vez em quando fazia questão de recordar aquilo só para chatear.

R - O que eram as famosas quartas-feiras da Liga dos Campeões?
B - Era o que chamávamos aos treinos no pelado do Campo da Ponte. Dantes o Sp. Braga não tinha as condições que tem agora, como é natural e durante a semana a gente só ia ao relvado do 1.ª Maio para cheirar a relva. Por isso é que a brincar dizíamos que aqueles treinos no pelado eram as nossas noites europeias e eles eram bem rasgadinhos.

R - No meio de tantas histórias que se foram perdendo, ainda ficam algumas por contar?
B - Há sempre. Lembro-me de uma muito engraçada que aconteceu no tempo do Manuel Cajuda. Ele lembrava-se de cada uma e uma vez houve um jogo que correu mal, já não me lembro se perdemos ou empatamos, mas sei que sofremos um golo de livre em que a barreira se mexeu. Ele no treino seguinte chamou-me e disse: "Pega aí nas bolas todas que vais passar um tempinho a marcar livres e quero que acertes neles. Estás a ouvir? É para acertar mesmo em cheio.." Nos primeiros livres ainda disfarcei e tentei atirar para longe para não acertar nos meus colegas, mas ele insistiue veio ao pé de mim e voltou a dizer que era para acertar em cheio na barreira, que tinha, se a memória não me falha, os mesmos elementos que tinham estado na barreira no tal jogo. Um deles era o Paulo Monteiro, que tinha vindo do Belenenses para Braga, e num dos livres a bola bateu-lhe em cheio numa coxa. Ele saiu a mancar do treino, coitado, com a malta toda a gozar e no outro disse apareceu-me no estádio com os gomos da bola ainda marcados na coxa. Andou para í uma semana em tratamentos para aquilo sair...

R – Para acabarmos em beleza, que história é essa de pedir copos de vinho para os mais novos nas concentrações?
B - Era uma brincadeira habitual da malta mais velha para integrar os mais novos. Na altura era capitão do Sp. Braga e dizia sempre aos mais novos para se sentarem à minha beira e pedirem um copo de vinho nas refeições. Eles diziam que não bebiam, mas eu exigia que eles pedissem e para não ficarem preocupados que eu depois tratava do assunto (risos). Era uma forma de os integrar com uma brincadeira e depois os mais velhos é que bebiam o vinho. Não tenho essa coisa de ser vaidoso, mas gosto quando se recordam de mim e lembram-se desse tipo de histórias, pois é sinal de que de alguma forma deixamos a nossa marca no clube. Quem dá o máximo pelo clube, como foi o meu caso e sempre por onde passei, deve ser reconhecido e senti isso em relação ao Braga.

Por António Mendes
1
Deixe o seu comentário
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Conversas de sofá

Notícias

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.

0