Carlos Brito: «Bruno Lage também não foi promovido para ser campeão»
Início de carreira foi inesperado, mas o consequente sucesso justificou a aposta
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R – Quando é que começou a pensar ser treinador de futebol?
CB – Nunca.
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R – Então como é que começou a treinar o Rio Ave em 1996/97?
CB – Foi um acaso em função das circunstâncias. Na altura não queria, nem pensava nisso. Era jogador do Rio Ave. O treinador era o professor Henrique Calisto e surgiu a oportunidade de contratar o Peu, que foi um central importante na história do clube. Acontece que no plantel também havia o Martins, o Marcos e o Lima Pereira. A equipa passou a ter cinco centrais e o treinador propôs-me passar a adjunto. Aceitei, mas não gostei da ideia porque não só não tinha a mínima vontade, como ainda acreditava que podia dar mais alguma coisa ao futebol. A verdade é que, desportivamente, as coisas não correram bem. A equipa estava em último lugar. Tinha apenas dois pontos e 12 derrotas consecutivas quando a direcção entendeu apostar em mim para o jogo com o Gil Vicente em casa. Não estava nada preparado. Era só eu e o Lúcio. Acabámos por perder esse jogo e o treinador que estava para vir já não veio. Com essa derrota praticamente assumiu-se a descida, tanto que até saíram três jogadores importantes logo depois. Do mesmo modo que o Bruno Lage foi promovido em função de uma perspectiva de futuro e não para ser campeão, o Rio Ave apostou em mim porque já tinha assumido a descida quando ainda não tinha chegado o final da primeira volta.
R –Mudou de ideias com o desempenho fantástico naquela segunda volta?
CB – Confesso que naquele momento não percebia muito do que era ser treinador, mas a verdade é que foi tudo estupendo. O grupo era bom e na segunda metade da época só o FC Porto fez melhor.
R – Curiosamente empatou no Estádio das Antas num jogo em que o Sérgio Conceição, então jogador do FC Porto, foi expulso.
CB – Isso faz parte do jogo. O Rio Ave também acabou essa partida com menos dois jogadores. Correu tudo tão bem que até parece que alguma coisa estava connosco porque certamente não foi a minha sabedoria. O momento é uma coisa vaga, mas representa muito. Lembro-me que nesse jogo com o FC Porto, o Martins, um esquerdino nato, passou do meio campo, chutou com o pé direito e fez um grande golo. O jogo acabou 2-2. Acabámos por não descer de divisão e continuei como treinador.