Gil e o Mundial de 1991: «Antes da final, Queiroz levou-nos à praia para motivar»

O ex-avançado fez parte da geração de ouro que venceu o Mundial de sub-20 em Portugal

A falília era Amaral, Peixe, Toni, Nelo Vindada, Pedro Mouzinho (secretário técnico), Cao, Abel Silva, Tó Ferreira, Abel Xavier, Hélio e Valido (em cima); Gil, Tulipa, Luís Miguel, João V.Pinto, Nélso
Campeões de sub-20 de 1991 • Foto: Miguel Barreira

R - Presumo que a conquista do Mundial sub-20 em 1991 tenha sido o auge da sua carreira, mas como avalia o seu crescimento nos vários escalões?

G - Eu tive a felicidade de, em 1989, participar num Europeu de sub-16 na Dinamarca em que fui considerado o melhor jogador além do melhor marcador com 10 golos em cinco jogos. Apurámo-nos para o Mundial de sub-17 em que ficámos no 3º lugar. Lembro-me que perdemos nas meias-finais com a Escócia, o país organizador, e que o golo sofrido não foi bem legal. A nível de Seleção jovem, estivemos presentes em quase todas as finais e tentámos tudo o que era possível para fazer história por Portugal.

R - Os elementos dessa dita geração de ouro falavam entre si sobre a pressão que sentiam por essa responsabilidade?

G - Sim, sem dúvida. Desde muito cedo, tínhamos o hábito de conversar e trocar impressões sobre o que fazíamos nos nossos clubes. Eu, principalmente, tentei sempre ajudar os meu colegas em termos contratuais. Eu fui dos primeiros jogadores a ter um grande contrato e, quando ia para a Seleção, falava com eles e fazia com que vissem que era importante termos bons contratos. A nossa relação era muito boa. Tínhamos uma ligação de amizade, companheirismo e, acima de tudo, tínhamos uma equipa técnica com Carlos Queiroz e Nelo Vingada que nos dava todo o apoio.

R - Associa-se muito o crescimento da Seleção a Carlos Queiroz devido à formação. De que forma é que Queiroz se diferenciava para vocês?

GG - Posso dizer que era uma pessoa que geria de uma forma incrível o nosso psicológico. Conseguia-nos fazer ver que éramos os artistas e que o público pagava para nos ver a jogar. Assim, tínhamos que estar ao nosso melhor nível. Ele dizia ‘aqui os artistas são vocês e não há circo sem artistas. Têm que dar o vosso melhor para as pessoas assistirem a um bom espetáculo’. Tentávamos ao máximo pôr isso em prática.

R - No Mundial de sub-20 em Portugal, vocês sentiam desde o início que podiam ganhar a prova?

G - Sentimos logo que podíamos revalidar o título. Íamos para o campo com essa intenção e pensávamos sempre jogo a jogo. Lembro-me que, um dia antes da final com o Brasil, o professor Queiroz levou-nos à praia do Guincho para nos motivar e ficámos só em cima das rochas a olhar para o mar. Ele pediu-nos para ficarmos lá a relaxar. Perguntou-nos o que estávamos a ver e nós dissemos que víamos uma parte calma das ondas mais para a frente e outra fase em que as ondas batiam nas rochas. Disse-nos ‘é assim que quero que vocês joguem amanhã!’. Ficámos a olhar uns para os outros a pensar ‘Como assim?’ e ele explicou o seguinte: ‘O que eu quero é que a defesa e o meio-campo estejam calmos como aquela fase do mar que veem mais perto do horizonte e que o ataque seja bravo como estas ondas que batem nas rochas’. Como jogadores inteligentes que éramos, tentámos colocar em prática aquilo que ele pediu.

R - Perspetivavam uma final tão tensa como aquela contra o Brasil?

G - Desde que saímos do hotel, vimos as ruas de Lisboa completamente cheias e começámos a viver esse momento incrível quando entrámos no autocarro. Ir para o aquecimento, com aquela moldura humana na Luz, não foi fácil, mas com o apito inicial as coisas acalmaram-se e tentámos fazer o nosso trabalho de forma descontraída.

R - De que forma é que festejaram o título?

G - Ganhámos o Mundial e o pessoal combinou todo sair. Acabámos por ir festejar para sítios diferentes. Eu, o Cao e o Toni fomos festejar para discotecas africanas e o resto do pessoal foi para discotecas europeias. Basicamente foi isso que aconteceu e festejámos tendo em contas as raízes dos nossos países de origem.

Por Filipe Balreira
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