Tonel, o golo de Ronny com a mão, a "cacetada" de Caneira e a medalha que não foi receber
Central ficou no balneário após a final polémica da Taça da Liga de 2008/09
Seguir Autor:
Tonel viveu em Alvalade a mais longa etapa da sua carreira sénior. A Record relembra diversos momentos, bons e maus… Na sua estreia na Liga dos Campeões, fez a assistência para um "golo espetacular" de Marco Caneira.
RECORD – Falemos da época 2006/07. Já estava no Sporting. Aquela derrota em casa, em Alvalade, contra o Paços de Ferreira, com o golo com a mão do Ronny... O Tonel, suponho, estava perto do lance. Dá para perceber como é que o árbitro não viu?
Relacionadas
TONEL – Lembro-me do lance, claro, mas eu não vi mesmo se era mão. O Anderson Polga é que estava mesmo em cima do lance e o Ricardo saiu logo da baliza a pedir mão. Pela reação dele, vi logo que tinha sido irregular. O Ricardo era muito temperamental, o que ele sentia, extravasava logo, era muito espontâneo. Porém, concedo que o árbitro possa não ter visto. Não podemos reduzir o campeonato apenas a esse lance. Se calhar, também não fizemos a nossa parte. Decerto terão existido outros lances ao longo do campeonato em que o Sporting tenha sido beneficiado. Não acredito que o árbitro tenha feito de propósito. Ainda hoje com o VAR, como se vê, as discussões e as polémicas não terminam.
R - Nessa época, o Sporting acaba a 1ª volta a 7 pontos do FC Porto. Na 2ª volta, não perde um único jogo e termina a 1 ponto do FC Porto. Aliás, ao intervalo do jogo da última jornada, o Sporting estava em 1º… Sente que o Sporting era o campeão mais justo dessa temporada?
T - É difícil dizer. Foi um campeonato muito longo. Se não conseguimos, o FC Porto acabou por ser melhor. Temos de pensar é em como não conseguimos ganhar. Recordo-me que nessa temporada fomos ganhar ao Dragão na 2ª volta com um golaço do Tello de livre. Estava lesionado e vi esse jogo da bancada.
R – E o jogo do título de 2005/06? Aquele que o FC Porto ganha em Alvalade com um golo do Jorginho?
T – Depois dessa jornada, ficavam a faltar quatro para o fim do campeonato. Sei que estava um jogo muito dividido e nós tínhamos de ganhar. Perto da hora de jogo, o Paulo Bento começa a arriscar e tira o Carlos Martins para meter o Nani. Nos últimos 10 minutos, tira o Abel e coloca o Koke, um avançado espanhol. Ficámos a jogar com apenas três atrás e o FC Porto marca pouco depois. Quando se arrisca, pode correr bem ou pode correr mal, mas nós tínhamos de arriscar.
R - Das quatro taças ganhas entre 2006/07 e 2007/08, três foram contra o FC Porto. Vocês eram especialistas no ‘mata-mata’ ou o FC Porto era uma equipa que sabiam contrariar bem?
T - O fator motivação com que chegávamos a esses jogos era superior. Por outro lado, como não conseguimos ganhar os campeonatos, tínhamos de ganhar alguma coisa também para dar aos nossos adeptos. Não sei se nas finais o FC Porto não jogava com tanta determinação, mas nós nesse tipo de jogos éramos muito fortes.
R - O seu primeiro jogo na Liga dos Campeões foi a vitória em Alvalade sobre o Inter de Milão, em 2006/07, com um golaço do Marco Caneira. Grande estreia, não?
T - Foi o primeiro jogo da fase de grupos, e logo contra um Inter fortíssimo, com Figo, Ibrahimovic, Adriano, Zanetti… Sou eu quem faço a assistência para o Caneira, ele fez esse jogo a lateral-esquerdo, eu faço um passe longo, ele domina com o peito para dentro e dá-lhe uma grande ‘cacetada’! Não fez muitos golos na carreira, mas esse foi, sem dúvida, um golo e uma vitória espetaculares.
R - Levou alguma bolada do Ronny, o lateral-esquerdo, nos treinos? Pontapé canhão… Já para não falar do Rochemback.
T - Que eu me lembre não (risos). Ele tinha essa capacidade muito apurada, tinha um pé esquerdo fortíssimo, era impressionante! Para além de livres, também batia cantos muito bem. Cheguei a fazer golos a cantos dele, como um ao Leixões, em 2007/08, no meu aniversário. Em cantos, o Romagnoli também era especialista.
R – Vice-campeões em quatro épocas seguidas e o Sporting nem era o plantel mais forte e mais caro. Apostava muito na formação. Valoriza ainda mais o que essa equipa fez?
T – Sem dúvida. Valoriza o nosso trabalho e do treinador. Foi nessa altura que foram lançados o Miguel Veloso, o Nani, o Daniel Carriço, entre outros. Nós tínhamos orçamentos que eram metade dos do FC Porto. Tem que se dar mérito ao que fizemos. As contratações do Sporting nem se comparavam com as dos rivais, mas, mesmo assim, conseguimos rivalizar e dar luta.
R - Estava no banco na final da Taça da Liga de 2008/09. A tal em que o Lucílio Baptista marca penálti para o Benfica depois de a bola bater no peito do Pedro Silva… Como estava a equipa no balneário no fim do jogo?
T – O Pedro Silva estava fora de si e a revolta alastrava-se aos restantes jogadores. Lembro-me que, quando foi o momento de receber as medalhas, eu fiquei no balneário com mais dois colegas, cujos nomes não vou mencionar. Aquele lance foi marcante e não conseguia ir receber a medalha de vencido. Se calhar, não foi a melhor atitude, mas foi o que eu senti.