Wando: «Ofereceram cinco camelos pela minha mulher»
Ex-jogador do Benfica esteve uma temporada na Turquia e não se adaptou à cultura
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RECORD - Antes de terminar a carreira, ainda jogou no Konyaspor, em 1992/93. Como foi essa experiência?
WANDO - Estava no Marítimo e, na altura, só podia sair para o estrangeiro se o clube que contratava pagasse. Então fui para o Calheta - cujo presidente era meu amigo –, que serviu de ponte para o Konyaspor. Estava a duas horas de Ancara, mas não gostei de estar na Turquia. A cultura, a língua... não tinham respeito pelas mulheres.
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R - Como assim?
W - Tinha acabado de me casar – já vou no quinto casamento! A minha mulher era uma loira bonita e os turcos ficavam doidos. Não respeitavam as mulheres. Ofereciam cinco camelos por ela [risos]. "Cinco camelos! Cinco camelos!", diziam. E eu perguntava por que é que haveria de querer cinco camelos. Quando ia jogar, tinha de a fechar em casa. Mas, pronto, já estava cansado de futebol e fiquei lá uma época, antes de voltar ao Brasil.
R - Como foi a sua vida depois de ter voltado ao Brasil?
W - Ainda joguei num clube no interior de São Paulo, mas depois voltei para Brasília, onde nasci e resido com a minha atual mulher, Lívia, mãe do meu filho Geovanni. Depois de ter deixado de jogar, rompi com o futebol. Abri um jardim infantil/creche, com a minha mulher de então. Foi um projeto que correu bem.
R - E depois?
W - Tive uma escola de futebol do Vasco da Gama em Brasília e agora avalio jogadores para vários clubes. Sou uma espécie de olheiro. Também me dedico a negócios de imóveis. Compro, restauro e vendo. Mas já estou a estudar para trabalhar com ações. Acho que tenho perfil para isso.
R - É um homem dos sete ofícios?
W - Vivo de oportunidades. Estou feliz com o que consegui. Deus tinha um plano para mim e cumpriu. Hoje, vivo a cinco minutos do aeroporto de Brasília, num condomínio. Tenho um piscina privativa e um campo onde posso treinar com o meu filho. Também tenho casa perto do Rio de Janeiro, pois o meu filho, Geovani, de 13 anos, é defesa-central no Fluminense. Para estar a jogar, é porque yem qualidade. Mas se não der jogador, não há problema, está a estudar.
R - Sempre quis ser futebolista?
W - Inicialmente, quando era miúdo, queria ser engenheiro civil, talvez porque o meu pai trabalhava na construção, como capataz. E fazia atletismo, daí a minha velocidade. Mas acabei por jogar aqui em Brasília. Pela seleção de Brasília, defrontei a do Rio de Janeiro. O Joel Santana viu esse jogo, gostou e levou-me para o Vasco da Gama. Depois foi tudo muito rápido. Com 19 anos, já estava no Braga.
R - É filho único?
W - Não. Somos sete irmãos e eu sou o mais velho. Um das minhas irmãs vive em Lisboa e outra, que está casada com o Samuel, que jogou no Benfica, em Londres.
R - Mantém o contacto com as ligações que fez em Portugal?
W - Sim. Como disse, fiz grandes amigos. Mantenho o contacto com o pessoal com quem joguei no Benfica. Inclusive, temos um grupo WhatsApp.