Carlos Freitas: «O meu único erro foi voltar ao Sporting»

Diretor desportivo da Fiorentina apenas reconhece uma decisão totalmente falhada

• Foto: Pedro Simões

Tem 18 anos de carreira (dez deles passados em Alvalade) e renovou contrato com a Fiorentina até 2019. Está feliz em Itália e não faz planos para além disso. Tornou-se pragmático e, ao olhar para trás, apenas reconhece uma decisão totalmente falhada.

RECORD - O que diferencia Itália e o seu futebol dos outros países onde já trabalhou?

CARLOS FREITAS – Em termos táticos continua a apresentar particularidades diferentes dos outros campeonatos, o que exige muitíssimo dos treinadores. Qualquer equipa média-baixa apresenta dificuldades tremendas às maiores potências. É uma liga diferente de todas aquelas em que já estive envolvido, razão pela qual está a ser um desafio muito aliciante.

R - Como tem sido a experiência?

CF – Tenho gostado muito, ao ponto de, a um ano do fim do contrato, ter aceitado a proposta de prolongá-lo por mais um ano. O vínculo com a Fiorentina estende-se agora até 2019, prova de que existe uma satisfação recíproca relativamente ao meu trabalho.

R - Quais são os objetivos para a próxima época?

CF – Nos últimos 12 anos a Fiorentina foi quatro vezes à Liga dos Campeões e oito à Liga Europa. Nas últimas cinco temporadas foi quatro vezes às competições europeias e nesta ficou de fora, o que foi entendido pela sociedade como final de ciclo de jogadores que assinaram uma passagem positiva por Florença. Fosse pelo fim do seu próprio estímulo mental para prosseguirem a carreira ali, fosse pela idade, foi entendido quebrar esse elo e dar início a outro ciclo.

R - Como foi trabalhar com Paulo Sousa na época que passou?

CF – No troço inicial da sua primeira época na Fiorentina, Paulo Sousa construiu uma equipa que encantou o futebol italiano. Prometeu grandes feitos, chegou a ser líder mas quebrou na segunda metade. Acabou em quinto lugar. Em 2016/17, até fevereiro, mais concretamente até à eliminação europeia com o Borussia Mönchengladbach, tinha uma relação que permitia à equipa ter resultados positivos e andar no topo da tabela, cumprindo assim os objetivos traçados, isto apesar da relação com o clube não ser propriamente de grande exaltação. Mas a eliminação europeia quebrou laços difíceis, diria mesmo impossíveis de recuperar nos últimos três meses..

R - Foi uma eliminatória cujo resultado custou a encaixar…

CF – Claro que sim. A verdade é que, depois da derrota, foi pacífico o entendimento de que a relação profissional tinha chegado ao fim. O que sucedeu, para enquadrar, foi isto: ganhámos 1-0 na Alemanha e, no nosso estádio, estávamos a ganhar 2-0 aos 40 minutos; sofremos um golo antes do intervalo e aos 65 minutos perdíamos 2-4. Foi um jogo atípico e marcante pela negativa, com enorme impacto psicológico. Recuperar a equipa, a partir daí, tornou-se muito complicado.

R - As expectativas para a próxima época são elevadas?

CF – Há a chegada de um treinador muito respeitado, como é Stefano Pioli, que tem experiência de trabalhar em cidades como Roma (com a Lazio) e Milão (com o Inter) e há uma equipa nova na forja, embora ainda não completa – o mês de agosto vai trazer-nos alguns novos jogadores. Conhecemos a realidade do futebol italiano, que tem cinco equipas com orçamentos muito acima dos outros (Juventus, Milan, Inter, Nápoles e Roma), e nós iremos acomodar-nos no lote seguinte, no qual estão Torino, Atalanta e Sampdoria. Estas serão equipas competitivas e, diz-nos o passado, há sempre um outsider na corrida. Esperamos ser nós, não pela componente financeira mas pela capacidade que tentaremos demonstrar e pela agilidade que esperamos aplicar no mercado.

Por Rui Dias
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