Fernando Sanz: «Podemos ajudar Portugal a crescer»

Foi presidente do Málaga e agora, aos 44 anos, é um dos embaixadores de La Liga além-fronteiras

• Foto: Ricardo Jr

Como jogador sagrou-se campeão europeu pelo Real Madrid. Foi presidente do Málaga e agora, aos 44 anos, é um dos embaixadores de La Liga além-fronteiras e o seu diretor-geral para o Médio Oriente e Norte de África.

RECORD - Atendendo à finalidade dos Encontros Ibéricos, como é que Espanha pode ajudar Portugal?

FERNANDO SANZ – O melhor é analisar a nossa fotografia. Em 2013 tínhamos receitas de 800 milhões de euros e perto de 700 milhões de seguidores. Em 2018 registámos a entrada de 3.500 milhões de euros e quase 3.000 milhões de seguidores. Acho que o crescimento fala por si. Temos o ‘know-how’ e estamos dispostos a partilhá-lo. Não somos um inimigo, mas um veículo de desenvolvimento. Tanto podemos ensinar, como aprender.

R - O que é que o campeonato português tem para oferecer?

FS - Pode ajudar-nos a nunca perdermos a perspetiva do que fomos, nem da situação complicada que atravessámos ou de como passámos de 600 milhões de euros de dívida para um valor residual em cinco anos.

R - Qual foi o segredo para uma recuperação tão eficaz?

FS - Reinventámo-nos. Quando estávamos em crise e não havia dinheiro para fazer nada tirámos proveito da cantera. Vislumbrámos o futuro quando chegámos à conclusão de que é mais importante produzires os teus futebolistas do que comprá-los. Portugal não pode fazer o mesmo? Aqui respira-se futebol em todas as ruas.

R - Como o conseguiram fazer num espaço de tempo tão curto?

FS – Muito controlo e estratégia. Em 2013, o nosso produto estava centralizado em Espanha. Somos 45 milhões de pessoas e se 50 por cento da população seguir o futebol isso representa cerca de 22,5 milhões de potenciais espectadores. Quantos milhares de milhões de pessoas no Mundo têm interesse no nosso futebol? Foi aí que decidimos enveredar pelo projeto de expansão internacional. Mudar os horários dos jogos criou um tremendo celeuma, mas hoje os clubes lutam entre si para poderem jogar ao meio-dia. Para tudo isto funcionar foi fundamental o decreto-lei do Governo sobre a centralização dos direitos televisivos. Quando fui presidente do Málaga, o Real Madrid cobrava 140 milhões euros por ano e nós apenas 8 milhões de euros. Esta disparidade não é boa para o negócio. Agora a regra é: se entram ‘x’ só podes gastar ‘x’, porque nenhum clube em Espanha pode perder dinheiro.

R - Como foi a logística para corresponder às alterações?

FS – Começámos a trabalhar com 40 pessoas em 2013. Hoje são mais de 300. Foi tudo progressivo, mas com competência. Para nós a relação pessoal é fundamental. Recebemos mais de 13 mil currículos para eleger os 60 melhores delegados em todo o Mundo. Se gastas milhões com o nosso produto tens de ter um tratamento exclusivo. Isso de pegar no telefone, ter o desconforto da diferença de horários, língua e uma sequência de ações até resolveres o teu problema ou dúvida não pode existir. Para isso é que há alguém no Egito, no Dubai, em Portugal e no Mundo inteiro. Para monitorizar a imprensa, as redes sociais e estar perto dos nossos distribuidores. Estamos em todos os locais onde há clientes.

R - Esse é o caminho para a Liga Portugal?

FS – Acredito no diálogo e nas reformas. A estratégia é clara e a centralização dos direitos televisivos foi a salvação de muitas ligas. O nosso modelo nestes cinco anos foi de um êxito tão brutal que ter um acordo com La Liga, onde é possível aprender como tudo se desenrolou, posiciona Portugal nessa rota.

R - Uma Liga Ibérica é mais viável do que uma Liga Europeia?

FS – Nem uma, nem outra. Temos de estar abertos ao Mundo e diversificar, mas cada um focado no seu produto.

R - A ideia de mais receita não é apelativa?

FS - Há outros caminhos sem colocar em questão a identidade, como o acordo que realizámos com a federação saudita. É um país, como o Japão e a China, que quer abrir-se ao Mundo, pelo que foi importante começar na linha da frente. Convidámos os departamentos de scouting de todos os clubes para avaliarem o potencial dos melhores jogadores sauditas. Um processo de mais de seis meses que resultou em várias aquisições muito benéficas para clubes como o Villarreal, Rayo Vallecano e Numancia . O Levante, por exemplo, aumentou a sua visibilidade nas redes sociais em 600 por cento.

R - Lamentou a saída de James Rodríguez pelo impacto no mercado colombiano. Como avalia agora a saída de Cristiano Ronaldo?

FS – Todos os mercados são importantes, mas Cristiano é um fenómeno mundial e por isso é uma perda muito mais sensível do que foi a do James Rodríguez, porque é uma lenda do Real Madrid e várias vezes o melhor jogador do Mundo. Por sorte todos os grande jogadores querem jogar no nosso campeonato e acredito que este ano vão chegar outros muito importantes, mas a história dos clubes é muito maior do que a de qualquer futebolista. Crescemos com o Cristiano, mas as receitas televisivas também cresceram 15 por cento sem ele. Honestamente preferia que tivesse ficado, mas está no seu direito e só lhe tenho de desejar toda a sorte do Mundo e agradecer o que fez por Espanha.

Por Pedro Malacó
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