Peseiro e a dívida do FC Porto que não está saldada: «Sabemos as dificuldades...»

Técnico aborda momento atual dos dragões

• Foto: Vitor Chi

R - Saiu do FC Porto há pouco mais de um ano e com uma indemnização para receber. Está tudo saldado?

JP – Não vou comentar isso. Sabemos as dificuldades que o FC Porto tem. O clube está a regularizar a situação, dentro das suas possibilidades e dentro da relação que tenho com os clubes. Não está saldado, mas o FC Porto é idóneo, cumpre com os seus deveres. Não há alarme!

R - Falando em FC Porto... Um dos assuntos que dominam este verão são os emails, revelados no Porto Canal, pelo diretor de comunicação do clube, Francisco J. Marques. Também questiona os últimos títulos do Benfica?

JP – Não, não! O Benfica ganhou porque foi melhor, na minha opinião. Não vamos, agora, usar artifícios. O que disse, e reafirmo, é que na generalidade todos os sócios de todos os clubes não se importam de ganhar mesmo que favorecidos. É o futebol. Mas depois… calma! Estamos a falar mal mas somos campeões da Europa; as nossas equipas têm o valor que se sabe, com menores dimensões económicas. O nosso futebol, num país tão pequeno, é um caso de estudo. Temos os melhores jogadores, os melhores treinadores, o melhor agente e mais resultados… Não sei se algum país do Mundo tem a nossa capacidade! Portugal talvez seja a melhor potência mundial de futebol… Porquê? Tem menos jogadores e ganha; tem menos treinadores e ganha. Além do Jorge Mendes e do Cristiano Ronaldo, temos o Mourinho e agora ainda temos o Tiago Craveiro. Agora, claro que gostaria que o nosso futebol fosse visto de forma diferente, como em Inglaterra, onde cheguei a ganhar com o Sporting e, no final do jogo, bateram palmas aos meus jogadores, porque, mais do que o resultado, aplaudiram o empenho.

R - É uma questão do sul da Europa, portanto?

JP – Tem a ver com os latinos. Podíamos desfrutar e viver mais só o futebol, mas pergunto: e seria a mesma coisa? Se tivéssemos um futebol certinho seria a mesma coisa? Se os árbitros não se enganassem, seria a mesma coisa? Somos um povo diferente, só vivemos isto com paixão e emoção. Os ingleses acabam os jogos e vão beber cerveja; os alemães vão comer o joelho de porco e salsichas e nós vamos ver se o árbitro nos prejudicou. Falemos abertamente: a televisão vive disto. Se não tivessem audiência não teríamos esta quantidade de programas à mesma hora. Olhe, eu passo por todos.

«Reticências com o vídeo-árbitro»

R - Não há consenso sobre o vídeo-árbitro. Qual é a sua opinião?

JP – Vamos ver. Achei que podia ser bom, mas depois do que vi na Taça das Confederações fico com grande receio. Quando vejo um árbitro parar o jogo, ver que houve uma agressão e, quando devia dar vermelho, deu amarelo, pergunto o que está a fazer o vídeo-árbitro. Há muita coisa para melhorar. Penso que é um passo importante na ajuda aos árbitros, porque é muito difícil decidir à velocidade a que se joga. Mas há coisas para serem melhoradas, há várias questões para serem resolvidas.

R - As paragens podem afetar o jogo?

JP – Muitas paragens não são benéficas. Por isso temos de nos restringir aos erros determinantes. Por exemplo, não se vai parar sempre que há dúvidas numa falta a meio-campo, mas... e se essa falta terminar em golo? Como é? Neste momento, tenho muito mais reticências do que tinha antes da Taça das Confederações. Mas também é verdade que custa ver uma equipa ser eliminada com três/quatro erros claros, como aconteceu na Champions. É bem-vindo mas penso que é precipitado e essa precipitação vem da pressão muito grande que há sobre os árbitros. 

Por Vanda Cipriano
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