Luciano Gonçalves: «Vítor Pereira sai no momento correto»

Único candidato às eleições da APAF

• Foto: Pedro Catarino

Aos 35 anos, é o único candidato às eleições da APAF do dia 20 e tem Duarte Gomes como mandatário. Deixou a carreira em 2010, devido a problema de saúde, e promete ser um homem de continuidade em relação a José Fontelas Gomes.

RECORD: Porque se candidata à presidência da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF)?

Luciano Gonçalves – A intenção é dar continuidade à presidência de José Gomes, que acompanhei como diretor. Identifico-me com o projeto e, com a ida de José Gomes para o Conselho de Arbitragem (CA), a APAF será um parceiro fundamental.

R: Acha que isso não tem acontecido com Vítor Pereira?

LG – A APAF não foi sempre utilizada quando deveria ter sido. Acredito que pode ter cada vez mais um papel importantíssimo para a melhoria da arbitragem.

R: Em que situações a APAF poderia ter sido utilizada e não foi?

LG – Na questão do regulamento de arbitragem, por exemplo. A APAF opinou sobre ele, mas poderia tê-lo feito desde raiz, na sua elaboração.

R: Há essa garantia de que agora a APAF será mais utilizada?

LG – São cargos autónomos. Mas conhecendo a forma de pensar de alguns elementos do CA, seguramente que há ideias comuns.

R: Quais as principais preocupações da APAF?

LG – Os regulamentos de arbitragens e a segurança são assuntos que nos preocupam muito, pois vão embater num problema de base, que é a falta de árbitros. Precisamos de criar condições para que se queira tirar o curso. Havendo mais árbitros, conseguiremos formá-los melhor.

R: Quais as alterações ao regulamento que devem ser feitas?

LG – A questão das idades e das cotas são problemas que nos preocupam. Vamos tentar mudar e fazer que sejam mais justos e equitativos.

R: Que balanço faz ao trabalho de Vítor Pereira no CA?

LG – Vítor Pereira deu muito à arbitragem portuguesa. É um excelente formador, foi um excelente árbitro, é um excelente líder para os árbitros, se calhar não o foi enquanto dirigente. Não tomou as medidas que devia ter tomado nos momentos certos. Não deixou o mesmo que deixou enquanto árbitro.

R: Acha que ele sai tarde?

LG – Sai no momento correto, pois terminou o seu mandato. Não tenho dúvidas de que tentou fazer o melhor. Na minha opinião, fez bem não continuar.

R: É uma pessoa válida para o futuro da arbitragem portuguesa?

LG – Não tenho a menor dúvida. E todas as pessoas válidas devem ser agarradas pela arbitragem.


Notas devem ser públicas

R: A resolução da questão das avaliações, sendo uma luta de José Gomes, está assegurada?

LG – Sabemos que ele irá lutar por isso, porque também o defendeu enquanto esteve na APAF. Tudo o que seja para credibilizar e dar mais transparência é prioritário. As coisas dentro da arbitragem seguem determinados procedimentos, mas temos de criar condições para que a opinião pública sinta que tudo é transparente.

R: Como a divulgação das notas?

LG – Espero que exista um método que permita a toda a gente ter conhecimento dos desempenhos dos árbitros.


"Multas aos dirigentes são irrisórias"

R: Tem havido um ambiente muito crispado, com declarações de vários dirigentes sobre os árbitros. Preocupa-o?

LG – É um problema grave, que está a matar o recrutamento nas bases. Por incrível que pareça, a pressão sobre os árbitros antes dos jogos é o que menos preocupa, pois eles são treinados para lidar com isso.

R – A APAF sentiu-se sozinha nessa luta?

LG – Sim. Não existiu um travão nestas declarações logo de início. O CA devia tê-lo feito.

R – Pedro Proença defende regulamentos mais duros...

LG – Não podia estar mais de acordo. Podendo haver multas que sejam dissuasoras, não faz sentido aplicar castigos com valores irrisórios para o futebol profissional.


"Tecnologias reduzem erros em 25%"

R: Defende que os árbitros possam falar para explicar algumas decisões que tomam?

LG – Isso poderá acontecer quando se conseguirem mudar mentalidades. Se não, qualquer argumento que fosse dado iria ser comparado com o da semana anterior. Não seria benéfico.

R: É a favor das tecnologias?

LG – Tudo o que seja feito para ajudar à verdade desportiva é bom. Mas não podemos pensar que os erros vão acabar. Pelos estudos que já foram feitos, haverá uma redução de 25 % do erro humano. Vão continuar a existir os outros 75 por cento…

Por Miguel Pedro Vieira e Sérgio Krithinas
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