Marcelo Meli: «Nunca tive a oportunidade que merecia»

Chegou no arranque da época mas saiu sem glória em janeiro

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Chegou no arranque da época mas saiu sem glória em janeiro, regressando à Argentina para representar o Racing. Não poupa nas críticas a Jorge Jesus e não consegue encontrar justificação para tão pouca utilização (2 jogos).

R: Qual é o balanço que faz da curta passagem pelo Sporting?

MARCELO MELI – Se bem que tento sempre tirar o melhor partido de todas as minhas experiências, não trouxe do Sporting boas recordações no plano desportivo. Aprendi muito. Melhorei enquanto jogador, mas não me sentia bem porque não tinha oportunidades.

R: O que pensa que aconteceu para não ser utilizado? Foi ‘culpa’ sua ou do treinador?

MM – Os dois primeiros meses foram de adaptação. Cumpri-os sem problemas, mas depois senti que não era levado em consideração por parte do treinador. Tudo isto me parecia estranho, porque quando Jorge Jesus estava no Benfica também mostrou interesse na minha contratação. Merecia uma oportunidade e não uns minutos em dois jogos. Não é com dez minutos por jogo que um jogador consegue mostrar-se ao técnico...

R: Como era a sua relação com Jorge Jesus? Ele alguma vez lhe explicou o porquê de não jogar?

MM – Era muito difícil. Aliás, quando tivemos uma conversa aberta foi quando eu fui falar com ele, perguntando-lhe qual era a minha situação no clube. Queria saber por que é que não jogava ou por que é que não tinha a oportunidade que merecia. Sinto que merecia mais, porque desde o primeiro dia que cheguei a Portugal, treinei-me sempre bem durante os seis meses e nunca tive nenhuma lesão. Penso que merecia uma oportunidade e não os dez minutos que Jorge Jesus me deu em dois jogos.

R: Com Benítez aconteceu algo parecido. Também não se adaptou a Benfica e Sp. Braga e voltou ‘a casa’. Sente que há grandes diferenças entre o futebol argentino e o futebol europeu, sendo essa uma das principais razões para estas situações acontecerem?

MM – Sabia perfeitamente que à minha frente estavam dois jogadores muito importantes, como William e Adrien. São os dois titulares da seleção portuguesa! Mas houve um momento em que o Adrien se lesionou, estávamos em quatro competições e essa seria a altura ideal para ter uma oportunidade. Mais uma vez, não aconteceu. Há diferenças substanciais entre o futebol argentino e o europeu. Na América do Sul é um pouco mais físico e agressivo.

R: E que opinião traz de Jorge Jesus? Partilha a ideia de que é um dos melhores na Europa?

MM – Sim, sim. É um treinador que gosta de trabalhar a vertente tática do jogo e a verdade é que com ele aprendi muito nesse aspeto.

R: Que referências tinha do Sporting antes de sair do Boca?

MM – As únicas referências que tinha do Sporting chegaram-me através do meu representante, porque os jogadores argentinos que lá estavam, eu não os conhecia. Falei com o Jonathan Silva antes de ir, e ele deu-me várias informações sobre o clube.

R: Encontrou-se com vários argentinos no Sporting. Ajudaram-no nos momentos mais difíceis?

MM – Sem dúvida que sim. Encontrei o ‘Galguito’ (Schelotto), o Alan, o Barcos e o uruguaio Coates. Ainda lá estavam os dois ‘rapazes’ da Costa Rica, o Bryan Ruiz e o Joel Campbell. Todos eles me ajudaram muito. Passavam o dia-a-dia comigo e, à parte do futebol, partilhamos vários momentos familiares. Construí uma boa amizade, com eles e com as suas famílias.

R: Gostou de Lisboa?

MM – É uma cidade muito bonita! Sentia-me seguro e os portugueses são muito amáveis. Nesse aspeto, as coisas eram perfeitas.

R: Qual foi o jogador que mais o impressionou na sua passagem pelo Sporting?

MM – Dos meus companheiros, todos sabemos quem é Sebastián Coates. Um jogador de seleção... Podia dizer muitas coisas boas sobre ele, mas também o podia ‘matar’ com a música que ouve [risos]. William Carvalho foi o jogador que mais me impressionou.

R: Também partilhou o balneário com Patrício, outro campeão da Europa. Há várias referências no plantel...

MM – Todas as equipas deviam ter duas ou três referências e o Sporting tem em Patrício, William e Adrien as suas. Para dizer a verdade, dei-me sempre muito bem com eles.

R: Que opinião traz dos adeptos do Sporting?

MM – São muito fiéis! Em Alvalade o estádio está sempre muito bem composto, mas fora também vão muitos adeptos. É também por isto que o Sporting é um clube de grande dimensão.

Por Alejandro Panfil. Buenos Aires. Argentina
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